Economia
Lula pressiona e Haddad desiste de taxar Shein e sites de compra
Decisão foi anunciada pelo Ministro da Fazenda nesta terça-feira; Com isso, compras de até 50 dólares seguem isentas
Após embate na noite desta segunda-feira (17) entre o presidente Lula e o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no Palácio da Alvorada, o governo recuou sobre a taxação de empresas asiáticas.
Com isso, será mantida a isenção tributária para compras de até US$ 50 de sites no exterior — principalmente as plataformas chinesas como Shein e Aliexpress. A decisão foi anunciada por Haddad, nesta terça-feira (18).
“A isenção não vai deixar de existir para pessoa física. Mas o presidente [Lula] nos pediu ontem para tentar resolver isso do ponto de vista administrativo”, disse ele.
O objetivo deve ser aumentar a fiscalização para evitar maiores fraudes e contrabando, indicou o ministro à imprensa — citando que uma grande empresa estaria se valendo de uma brecha para burlar a lei e causar a concorrência desleal. “Vamos usar o poder de fiscalização da Receita Federal sem a necessidade de mudar a regra atual.”
O ministro afirmou ter recebido apoio da Aliexpress e da Shopee na campanha pela tributação de compras. Na segunda plataforma, por exemplo, 85% das compras são realizadas entre vendedores e compradores em território nacional. “Apoiamos totalmente esta decisão”, escreveu o diretor global da empresa, Gang Ye, em carta a Haddad.
A cobrança em compras por pessoa física poderia gerar cerca de R$ 8 bilhões em receita tributária e era uma das esperanças do ministro para melhorar a arrecadação sem aumentar impostos. Pesou também a interferência de Janja, a primeira-dama, para tentar mudar a narrativa sobre a cobrança tributária.