O vale-refeição tem perdido poder de compra para os trabalhadores de Mato Grosso do Sul. Um levantamento da Pluxee, empresa especializada em benefícios corporativos, aponta que o benefício cobriu, em média, apenas 9 dias úteis por mês no estado durante o primeiro semestre de 2026.

Com a redução da capacidade de cobertura, muitos trabalhadores passaram a adaptar os hábitos de consumo para conseguir manter a alimentação ao longo do mês. O estudo mostra que o gasto médio por transação chegou a R$ 59,40 em Mato Grosso do Sul, fazendo com que a necessidade de complemento financeiro aumentasse.

Segundo o levantamento, o desembolso mensal dos trabalhadores sul-mato-grossenses passou de 109,5% no primeiro semestre de 2025 para 120,6% em 2026, um crescimento de 11 pontos percentuais. Na prática, significa que o valor recebido no benefício não é suficiente para cobrir todos os gastos com alimentação e exige que o trabalhador use dinheiro próprio.

A pesquisa também identificou diferenças no comportamento de consumo entre os canais de compra. Nas transações realizadas pela internet, o valor médio gasto foi de R$ 64,78, enquanto nas compras presenciais o tíquete médio ficou em R$ 58,72.

Para a Pluxee, os números mostram que os trabalhadores buscam alternativas para fazer o benefício render mais e equilibrar o orçamento diante da alta dos preços.

“Mais do que um apoio financeiro, o vale-refeição representa uma demonstração concreta de cuidado e valorização por parte das empresas. Em um cenário de pressão sobre o poder de compra, acompanhar a efetividade do benefício é fundamental para garantir que ele continue cumprindo seu papel de apoiar a alimentação e o bem-estar dos colaboradores”, afirma Antônio Alberto Aguiar, diretor executivo de Estabelecimentos da Pluxee.

Cenário nacional também aponta perda de poder de compra

No Brasil, a situação segue uma tendência semelhante. O levantamento indica que o vale-refeição passou a cobrir, em média, 9 dias úteis por mês em 2026, contra 10 dias no mesmo período de 2025, uma redução de 4,4%.

A pesquisa aponta ainda que a necessidade de complemento por parte dos trabalhadores aumentou de 93,2% em 2025 para mais de 100% em 2026. O cenário revela que o benefício, sozinho, já não consegue acompanhar o custo da alimentação fora de casa.

De acordo com a Pluxee, um dos fatores que explicam essa diferença é o avanço dos preços. Enquanto a inflação medida pelo IPCA para alimentação fora do domicílio ficou em 6,22%, o valor médio do vale-refeição teve reajuste de apenas 1,5%.

“Os dados acendem um sinal de alerta para a segurança alimentar do trabalhador brasileiro. O principal ponto de atenção é a discrepância entre a inflação e o reajuste do benefício, reduzindo o poder de compra em um ritmo acelerado e ampliando a necessidade de complemento”, destaca Antônio Alberto Aguiar.

Segundo o executivo, atualmente os trabalhadores precisam desembolsar, em média, R$ 589 a mais do próprio bolso para conseguir cobrir os gastos mensais com alimentação. O levantamento reforça o desafio das empresas em manter benefícios alinhados às necessidades reais dos colaboradores.