Uma ideia que surgiu durante uma aula na escola acabou se transformando em um livro inteiro escrito à mão. Aos 14 anos, o campo-grandense Davi Lucas Corrêa Pedroso decidiu colocar no papel a história que não saía da cabeça e, durante meses, escreveu página por página em um antigo caderno de rascunho.

O resultado foi “A Segunda Mãe de Joseph”, seu primeiro livro, que reúne suspense, mistério, coragem e amor familiar. O que começou entre as folhas de um caderno velho agora está prestes a ganhar as versões digital e impressa e chegar aos leitores.

Davi conta que o interesse pela escrita acompanha sua vida desde criança. Antes mesmo de pensar em publicar um livro, ele já costumava criar frases, histórias curtas e até pequenos livros em quadrinhos, sempre escritos à mão.

A história de Joseph, porém, surgiu de maneira inesperada. A ideia apareceu enquanto ele estava na escola e continuou na cabeça quando chegou em casa. Foi então que pegou um caderno antigo e começou a escrever.

“Então, peguei logo o caderno e comecei a escrever, sem esperar. Fui escrevendo dia após dia, sempre que dava — depois da aula, nos momentos de folga, até mais tarde, quando precisava. Às vezes mudava uma parte, reescrevia, pensava melhor no que fazia sentido”, conta.

Estudante e autor do livro, Davi Lucas Foto: arquivo pessoal

O caderno, que antes servia apenas para rascunhos, passou a ser utilizado exclusivamente para a história. Davi explica que não tinha toda a trama planejada desde o início. O enredo foi tomando forma conforme ele escrevia e conhecia melhor os personagens.

“Não foi planejado tudo de uma vez, não — fui construindo conforme ia escrevendo, sentindo o que cada personagem sentia. E assim, devagar, mas sem parar, terminei. É um caderno velho que peguei apenas para isso. É um caderno de rascunho, tudo que sai na minha cabeça sobre o livro eu anoto”, relata.

Escrever à mão também significou revisar e reescrever várias vezes. Mesmo conciliando a produção do livro com a escola e os estudos, o adolescente continuou trabalhando na história até concluir o manuscrito.

“Durante meses, entre a escola, os estudos e os dias que pareciam curtos, eu escrevi, à mão, página por página, meu primeiro livro. Não foi fácil: escrevia no caderno, corrigia, reescrevia, não desisti nem quando cansava. E agora, está pronto”, afirma.

Suspense e coragem

Em “A Segunda Mãe de Joseph”, o jovem escritor mistura elementos de suspense e mistério com uma história sobre vínculos familiares e a busca pela verdade. A trama acompanha uma criança que, segundo Davi, enfrenta situações difíceis e demonstra uma coragem que surpreende até mesmo os adultos.

“Fala sobre o quanto a verdade pode demorar, mas nunca se perde. Fala sobre uma criança pequena que teve mais coragem do que muitos adultos. Fala sobre nunca deixar de lutar por quem amamos”, descreve.

Para Davi, terminar o primeiro livro também representa uma oportunidade de incentivar outros jovens a escreverem e acreditarem nas próprias ideias.

“Quero que outras crianças, outros jovens, vejam que também podem escrever suas histórias. Que não importa a idade, não importa o tamanho do sonho — se a gente persistir, acontece.”

Agora, o livro está sendo preparado para chegar ao público. Davi já começou a divulgar a obra nas redes sociais, na imprensa e também na escola. A história será publicada na Amazon, e o lançamento está marcado para o dia 30 de outubro.

Além do livro, o adolescente preparou outros materiais relacionados à história, como a capa e um mapa do universo da obra.

Primeiro de muitos

O lançamento de “A Segunda Mãe de Joseph” também marca, para Davi, apenas o começo de uma trajetória que ele pretende seguir. O adolescente afirma que já pensa em escrever outros livros e vê a primeira obra como o início de uma série de novas histórias.

“Eu não sou ninguém famoso. Sou só um jovem daqui da nossa cidade que descobriu que tem uma história pra contar. Mas acredito que essa mensagem vale a pena chegar ao coração das pessoas: que a verdade vence, que o amor protege e que nenhum de nós é pequeno demais pra fazer a diferença.”