Em entrevista ao JD1 Notícias, Tito Estanqueiro comemorou o direito do microempreendedor de parcelar débitos tributários com redução de juros e multas. Além de destacar as vantagens disso, ele ainda fez uma avalição da situação econômica do país atualmente.

JD1 Notícias - O Refis das pequenas empresas já está valendo? Qual a sua a consequência prática?

Tito Estanqueiro – O Refis é fundamental para os pequenos negócios em qualquer situação. Por que os pequenos negócios sempre vivem com o dilema da dificuldade de capital de giro. O pequeno empreendedor tem que organizar o seu negócio e muitas vezes, ou na grande maioria das vezes, ele precisa ter capital para comprar as matérias-primas. E na hora em que a economia não está tão boa, a gente sabe que ela ainda passa por algumas fragilidades, ver uma notícia como o Refis, que significa o governo dar a oportunidade para você pegar algo que está em débito com ele, parcelado. A empresas de pequeno porte tem um conjunto de possibilidades que normalmente são liberadas para as grandes empresas, que é o parcelamento em até 180 vezes. É lógico que tem o mínimo de valor para cada uma. Por exemplo, para o MEI é R$ 50 e para micro empresa é R$ 300. Mas isso possibilita objetivamente dar fôlego à empresa para que ela consiga ter o seu dia-a-dia e não fique inadimplente fiscalmente. Até por que, por exemplo, uma pequena empresa que tem negócios com o governo, ou mesmo com o SEBRAE, por obrigatoriedade nós não podemos pegar alguém que esteja em débito.  A adesão do programa poderá ser feita até o dia 9 de julho de 2018 , mas lembrando para as dívidas até novembro de 2017.

JD1 Notícias - As micro e pequenas empresas no país são frágeis?

Tito Estanqueiro – São. Cada vez mais a nossa competitividade não é mais dentro do município. O varejo de uma maneira geral, ele estão hoje, ainda que situados geograficamente no município, a competição é global. O smartfone possibilita a aquisição de qualquer bem de uma maneira muito mais fácil do que o modelo antigo do tempo dos nossos avós e pais. Então, isso trás uma fragilidade maior, Além disso, apesar da economia já dar sinal de crescimento, nós não temos ainda nada consistente. Então, você tem duas situações: fragilidade econômica e uma um aumento maior da competição. Por exemplo, hoje nos bairros temos pequenos negócios tão bons, quantos os da região central da cidade. Isso tudo mostra o grande desenvolvimento, não apenas na venda do produto, mas também na prestação de serviço.

JD1 Notícias - O brasileiro é um empreendedor eficiente em pequenas iniciativas?

Tito Estanqueiro - Nós sabemos que o brasileiro é um empreendedor nato. É lógico que as vezes quando temos um aumento do desemprego, ele acaba sendo empreendedor por necessidade. Ele está em uma situação em que precisa empreender para sobreviver. A criatividade do povo brasileiro, não apenas no ponto de vista de empreendedorismo, mas culturalmente, é muito rica, é muito forte. Isso permite que nós, apesar dessas dificuldades econômicas, apesar desses atrasos, a gente ver como ele persiste. Resiliente, sempre objetivo, por que ele acredita.

JD1 Notícias - Os dados que chegam ao SEBRAE indicam que nível de recuperação na economia?

Tito Estanqueiro – Como minha formação é economista, a gente sente que tem alguns setores de economia que já estão sentindo um pouco dessa recuperação, mas nós ainda não estamos com ela consistente. Há setores que são extremamente alavancadores, por exemplo, a construção civil embalagens, que não conseguiram ainda passar para um patamar, uma taxa de crescimento consistente. Até mesmo em termo de emprego ela é muito tímida. A gente deixou de ir morro a baixo, como vinha.

JD1 Notícias - Qual a vocação mais forte nas micro e pequenas empresas no estado?

Tito Estanqueiro – Hoje nós temos o segmento da alimentação. Muita gente  acabou empreendendo por necessidade, viu como uma oportunidade. A parte de moda, roupas, por que naturalmente acaba sendo uma coisa bem mais fácil por que não tem que investir tanto. A área que o brasileiro gosta, de certa maneira, é o da beleza. Eu falo isso por que eu moro em Mato Grosso do Sul desde 1992. Quantos salões tinham e quantos têm hoje? É um segmento que cresceu muito. Mas acho que a gente tem uma forte vocação aqui, nas micro e pequenas empresas, observando as cidades do interior, para o agronegócio. Soja, boi, cana de açúcar.

JD1 Notícias - O SEBRAE atua junto à elas?

Tito Estanqueiro -  o SEBRAE ano passado atendeu mais de 36 mil empresas, não é fácil fazer isso. Não fazemos sozinhos. Fazemos com uma rede de consultores e parceiros. Mostramos para as empresas o cenário, como está o mercado, o que é tendência, Tivemos um evento em março, o “Inspira Mulher do Negócio”, agora o “Inspira Gastronomia”, depois vamos ter o “Inspira Agronegócio”. Um conjunto de propostas que o SEBRAE tenta trazer. Damos o subsidio ao empreendedor par que ele possa fazer uma consultoria, por exemplo, de R$ 4 mil. O empreendedor paga 30% e o SEBRAE paga os outros 70%. É um diferencial que temos. Mas o empreendedor precisa ser muito persistente. Empreender significa vencer muitos obstáculos.