O automobilismo brasileiro está passando por um momento de entressafra de pilotos? Será que teremos alguma cara nova do país na próxima temporada da Fórmula 1? Essas perguntas e muitas outras já foram ouvidas/feitas em algum momento pelos amantes da velocidade. E é justamente essa preocupação com a renovação e o surgimento de novos pilotos que levou o experiente Rubens Barrichello a "abraçar a causa" e tentar melhorar a busca por talentos das pistas.

Em entrevista concedida no Kartódromo da Granja Viana, em Cotia, São Paulo, Rubinho cobrou dos responsáveis a presença de categorias de apoio no automobilismo nacional. "A verdade é que o kart é muito forte no Brasil. Aquele menino que tem condições financeiras pode sair daqui e ir para fora. Porque lá você tem base. Você tem Fórmula 4, Fórmula 3, GP2, GP3... Uma variedade muito grande. E é o que falta no Brasil. Faltam categorias com apoio", comentou Barrichello, antes de elogiar a tentativa de Felipe Massa - o atual piloto da Williams na F1 foi um dos idealizadores da Fórmula Futuro Fiat. A categoria teve início em 2010, não vingou e foi extinta em 2011.

"Existem estudos pela CBA (Confederação Brasileiro de Automobilismo) para tentar dar uma moralizada no automobilismo. O Felipe (Massa) tentou, mas não teve o apoio que deveria ter, se encheu o saco e parou com a categoria. E não é que ele está fazendo a coisa errada. É que precisamos juntar uma situação para promover o Brasil e para que tenhamos pilotos de fora que venham ver aqui. A Stock Car é uma, por exemplo. A gente quer formar grandes talentos no Brasil para poder enviar para fora. E não que eles saiam já de cara do kart por que o Brasil perde por isso".

Rubinho aproveitou o momento para fazer um mea-culpa e explicar os motivos que o fizeram não "abraçar a causa" da busca por novos pilotos e a criação de categorias de base antes. "Eu nunca tive muito envolvimento com o Brasil porque fui para fora muito cedo e não tinha olhos para isso. Mas aí eu comecei a ver que se eu não ajudar, daqui a pouco estamos sem pilotos brasileiros. Então, hoje abracei um pouquinho a causa de ajudar os pilotos", contou o atual vencedor da Stock Car, para na sequência explicar o trabalho que tem feito na base e pedir ajuda.

"Eu tenho três pilotos brasileiros que estou ajudando. Gaetano di Mauro, Rafael Martins e Caio são três dos meus pupilos que pretendo levá-los até onde puder. O fato é que não basta só ajudar. Eu preciso ser ajudado também por aqueles que compõem o automobilismo brasileiro. Então, reuniões e essa coisa toda será parte do meu calendário natural para que a gente possa ter um Brasil um pouco melhor. A gente precisa agora em uns cinco anos pelo menos ter uma categoria que nos dê o passo do kart para alguma coisa. Então, isso também é um plano", completou.

E os autódromos do Brasil?
Feliz com a boa fase dentro das pistas após o título da Stock, Rubens Barrichello não fugiu das perguntas no evento organizado pelo seu estafe na última quinta. Outro tema abordado pelo veterano foram as condições dos autódromos do Brasil.

"Juro para você que quando voltei ao Brasil pensei em Goiânia. Era um dos melhores autódromos que tinha e não estava incluído naquele primeiro ano de Stock que fiz. Quando fiquei sabendo que teria ali uma injeção de dinheiro, uma projeção para melhorar, aquilo para mim foi valioso. Corri em quase todos os autódromos em 1989, quando fiz Fórmula Ford. Então, quero retornar neles e nos muito mais que existem por ai", relembrou.

"Agora tem o projeto de Brasília e isso vai favorecer. A gente tem aí Campo Grande, Londrina... grandes autódromos, mas com situações que precisam ser modificadas. Algumas com área de escape, outras com recapeamento de pista. Os autódromos hoje estão começando a ver através do profissionalismo de certas categorias como a Stock que se eles fizerem por isso, terão também toda a notícia para eles e toda a valorização. Então, o importante de um projeto desse é que o cara não faça para ganhar dinheiro. Mas que faça imaginando que dentro desses autódromos sairão grandes campeões que mais lá para frente a gente vai poder bater palmas", acrescentou.

Barrichello ainda falou sobre o que mais assusta ele na questão dos autódromos brasileiros. "Coritiba é um dos melhores, mas falam que daqui cinco anos tem projetos que pode virar um condomínio, essa coisa toda. Esse é o maior perigo que a gente sofre. O Rio de Janeiro (Jacarepaguá) era um dos melhores, mas hoje não temos mais. Esse é o maior perigo. Alguém querer utilizar a área, privatizando, e aí afundando o automobilismo para fazer", alertou.

"Então para que a gente não tenha essa situação privatizada, onde vai haver uma injeção de dinheiro, melhora de asfalto e tudo, e logo depois o cara vê que não tem o apoio da CBA, o apoio do governo... ai o negócio implode e a gente perde os autódromos. O melhor mesmo é o governo poder assimilar que aquilo faz parte da criação de novos talentos futuros e que a gente possa ter todos os tipos de categoria no mesmo fim de semana", encerrou.