Geral
Vaticano compara cirurgia plástica a 'burca de carne'
O Vaticano que durante séculos relegou a mulher a um papel secundário, senão insignificante, tenta se redimir de alguma maneira num documento em que não só reconhece que a Igreja Católica não acompanhou os avanços femininos das últimas décadas (diz que “as mulheres não passam mais as tardes rezando o terço”) mas também manifesta preocupação com as intervenções cirúrgicas meramente estéticas.
O documento intitulado “Culturas Femininas: Igualdade e Diferenças” denuncia a cirurgia plástica como uma agressão à identidade da mulher. “É como usar uma burca feita de carne”, diz o texto. Para o Vaticano, os procedimentos estéticos extirpam também as expressões da face e sinalizam a recusa em aceitar os limites do corpo e das diversas fases da vida.
Apesar de não ter autoridade para pontificar sobre questões de gênero – e apesar da retórica exagerada – o Vaticano dessa vez bateu numa tecla sensível. No mundo inteiro, os procedimentos estéticos estão em alta e o Brasil é o líder no ranking de cirurgias plásticas. Curiosamente, a maioria das pessoas, aqui e lá fora, parece ter vergonha de admitir tais “retoques”. Segundo o renomado cirurgião plástico australiano, Bryan Mendelson, especialista em rejuvenescimento e no que ele chama de “glamourização da face”, 99,9% das pacientes (afinal, as mulheres são a esmagadora maioria) entram no bisturi sem contar para maridos e filhos. Ou seja, estão preocupadas com a aparência, mas não querem que os outros saibam disso.
Talvez o grande empurrão seja este: o argumento dos médicos de que ninguém vai notar que elas “fizeram alguma coisa” – até que apareçam deformadas pelo excesso de procedimentos.
Um comentário banal do tipo “Você está com cara de cansada” pode fragilizar ainda mais alguém já com baixa autoestima. Envelhecer não é fácil. Como bem lembra o doutor Mendelson, as mulheres que fazem plástica estão mais interessadas em impressionar a si mesmas do que aos outros. Mais difícil, entretanto, é ter que, em algum momento, se perguntar, como no poema de Cecília Meirelles: “Em que espelho ficou perdida a minha face?”
O documento intitulado “Culturas Femininas: Igualdade e Diferenças” denuncia a cirurgia plástica como uma agressão à identidade da mulher. “É como usar uma burca feita de carne”, diz o texto. Para o Vaticano, os procedimentos estéticos extirpam também as expressões da face e sinalizam a recusa em aceitar os limites do corpo e das diversas fases da vida.
Apesar de não ter autoridade para pontificar sobre questões de gênero – e apesar da retórica exagerada – o Vaticano dessa vez bateu numa tecla sensível. No mundo inteiro, os procedimentos estéticos estão em alta e o Brasil é o líder no ranking de cirurgias plásticas. Curiosamente, a maioria das pessoas, aqui e lá fora, parece ter vergonha de admitir tais “retoques”. Segundo o renomado cirurgião plástico australiano, Bryan Mendelson, especialista em rejuvenescimento e no que ele chama de “glamourização da face”, 99,9% das pacientes (afinal, as mulheres são a esmagadora maioria) entram no bisturi sem contar para maridos e filhos. Ou seja, estão preocupadas com a aparência, mas não querem que os outros saibam disso.
Talvez o grande empurrão seja este: o argumento dos médicos de que ninguém vai notar que elas “fizeram alguma coisa” – até que apareçam deformadas pelo excesso de procedimentos.
Um comentário banal do tipo “Você está com cara de cansada” pode fragilizar ainda mais alguém já com baixa autoestima. Envelhecer não é fácil. Como bem lembra o doutor Mendelson, as mulheres que fazem plástica estão mais interessadas em impressionar a si mesmas do que aos outros. Mais difícil, entretanto, é ter que, em algum momento, se perguntar, como no poema de Cecília Meirelles: “Em que espelho ficou perdida a minha face?”