Em meio à crise que atinge o país, Mato Grosso do Sul é a bola da vez no setor agroflorestal, com o maior montante de investimentos a serem feitos nesse segmento em todo o Brasil. São cerca de R$ 18 bilhões já anunciados para polo de Três Lagoas, a serem feitos entre 2017 e 2018 pela Fibria e Eldorado – que irão expandir suas instalações na região.

Para aproveitar o bom momento, divulgar o diferencial de competividade do Estado e atrair ainda mais investidores, o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico, Jaime Elias Verruck, participou no começo do mês de dois importantes eventos nas cidades do Rio de Janeiro e em São Paulo, representando o governador Reinaldo Azambuja. Os resultados, segundo ele, “foram os melhores possíveis, pois já na próxima semana vamos receber nove empresários espanhóis, ligados ao ramo de celulose, biomassa, MDF e móveis, que ficaram muito interessados em realizar investimentos em Mato Grosso do Sul”.

Primeiro Jaime Verruck apresentou as potencialidades de Mato Grosso do Sul na segunda edição da Conferência Internacional sobre Investimentos Agroflorestais – Dana Florestal, realizada no Rio de Janeiro e que reuniu mais de 100 investidores estrangeiros e especialistas. Depois, o secretário participou da abertura do 48º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, em São Paulo (SP), juntamente com ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro.

Nos dois eventos secretário falou sobre o crescimento da silvicultura em Mato Grosso do Sul e das condições favoráveis para o desenvolvimento de um “Cluster Florestal” (aglomerado econômico de altíssimo nível, diversificação e tecnologia) no Estado.  “Em 2004 nós tínhamos menos de 100 mil hectares de eucalipto. A projeção para dezembro deste ano é atingirmos 900 mil hectares”, disse o secretário. Atualmente o parque industrial de base florestal de Mato Grosso do Sul é formado por 70 empresas que consomem mais de 12 milhões de metros cúbicos de madeira por ano.

Energia de Biomassa

Uma novidade foi destacada por Jaime Verruck nos dois eventos. Desde o dia 1º de outubro, as empresas interessadas em instalar Unidades Termelétricas de Biomassa em Mato Grosso do Sul já podem protocolar o pedido de licença prévia para esse tipo de empreendimento junto ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). “Publicamos um termo de Referência e Estudo Ambiental Preliminar para instalação de termelétricas acima de 10 megawatts. Com isso, queremos viabilizar a instalação desse tipo de empreendimento, aproveitando a oportunidade que será oferecida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)”, diz o secretário.

Em janeiro de 2016 a Aneel fará um leilão de energia gerada a partir de biomassa. “Já temos pelo menos seis empresas interessadas em explorar esse tipo de atividade em nosso Estado. Um dos pré-requisitos para a participação no certame da agência é apresentar a Licença Prévia (LP) de instalação e as empresas que nós já captamos necessitam desse documento. Como se trata de uma nova categoria de empreendimento em Mato Grosso do Sul, nós, no Imasul, trabalhamos para disponibilizar ao público interessado um termo de referência padrão para agilizar o processo de obtenção da LP e também para atrair mais investidores”, informou Jaime.

Mato Grosso do Sul já conta oficialmente com 820 mil hectares de eucaliptos plantados. “Essa produção gera um excedente e nós, no governo do Estado, já estamos fazendo a captação de investimentos que poderão fazer a utilização dessa matéria-prima. Até o momento nós já conseguimos captar seis empresas interessadas na instalação de Unidades Termelétricas de Biomassa no Estado. Juntas, elas somam um investimento de R$ 1 bilhão para Mato Grosso do Sul, especificamente nas regiões dos municípios de Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Bataguassu e Três Lagoas”, disse o secretário.

Amenizando a crise

O titular da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico (Semade) reforçou que esses investimentos e projeções contribuem significativamente para amenizar os efeitos da crise política e econômica pela qual atravessa o país. Atualmente, Três Lagoas, conhecida como capital mundial da celulose, vive algo inusitado: a expansão simultânea das duas fábricas de celulose do município. Além disso, na vizinha Água Clara, a construção de uma fábrica de MDF está a todo vapor. “Também publicamos, no dia 1° deste mês, o termo de referência e estudo ambiental preliminar para instalação de termelétricas acima de 10 megawatts que utilizem como combustível derivados de madeira, biomassa, gás natural e metano”, ressaltou o secretário.

A publicação desse termo de referência tem por objetivo viabilizar a instalação desse tipo de empreendimento em Mato Grosso do Sul, aproveitando a oportunidade que será oferecida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “Em janeiro, a Aneel fará um leilão de energia gerada a partir de biomassa e já temos pelo menos seis empresas interessadas em explorar esse tipo de atividade em nosso Estado. Um dos pré-requisitos para a participação no certame da agência é apresentar a Licença Prévia (LP) de instalação e as empresas que nós já captamos necessitam desse documento. Como se trata de uma nova categoria de empreendimento em Mato Grosso do Sul, nós, no Imasul, trabalhamos para disponibilizar ao público interessado um termo de referência padrão para agilizar o processo de obtenção da LP e também para atrair mais investidores”, informou Jaime.

Segundo ele, uma das empresas vai instalar uma UTE em Costa Rica com a produção de energia a partir de biomassa de pinus. “É uma empresa portuguesa que deverá alcançar 25 mil hectares com um investimento total de R$ 1,2 bilhão”, concluiu.

Legislação modelo no país

Durante a conferência no Rio de Janeiro, a legislação sul-mato-grossense de licenciamento ambiental foi destacada pelo deputado federal Irajá Abreu (PSD-TO) como um dos grandes diferenciais para o sucesso na captação de investimentos. “Em visita ao Mato Grosso do Sul tive a oportunidade de conhecer todo o processo de licenciamento. É uma legislação mais simplificada e desburocratizada, um exemplo de desenvolvimento de sucesso. Ficamos tão impressionados que adotamos essa legislação como referencial e modelo para criarmos e implantarmos a nossa no Tocantins”, afirmou o parlamentar.

O secretário Jaime Verruck reforçou a importância do Manual de Licenciamento Ambiental, lançado em maio deste ano pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). “Compilamos, em um único documento em formato digital, todas as leis e formulários existentes para os mais diversos tipos de solicitação de licenciamento de empreendimentos no Estado. Desta forma, temos condições de atualizar constantemente o Manual e de disponibilizar o conteúdo com rapidez”, lembrou.