O Brasil vive um surto de microcefalia por causa do aumento de casos notificados da doença em 2015. Só até 21 de novembro, foram 739 notificações de casos suspeitos. A quantidade é 402% superior aos 147 casos ocorridos em 2014. Como o genoma do zika vírus foi encontrado em amostras de líquido amniótico de gestantes do Nordeste, a principal suspeita de especialistas é que os casos de malformação em cérebros de bebês tenha ligação com o mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus.

Na última semana, o assunto foi tema de debate em Brasília, que contou com a presença de dirigentes estaduais e municipais de saúde de todo o País e abordou o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya, e o aumento de casos de microcefalia no país. O momento também serviu para elaborar um protocolo de pesquisa da doença.

“Não existe nada na literatura mundial que sirva de comparação para o que está acontecendo no Brasil. O que existe são relatórios na Polinésia Francesa que não servem de comparação”, explicou a superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES), Ângela Cristina Cunha Castro Lopes, que participou dos debates na capital federal. Segundo ela, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) estão acompanhando o trabalho desenvolvido no Brasil.

Mesmo com a maioria dos casos de microcefalia terem sido registrados no Nordeste, o Centro-Oeste está em alerta por causa de uma notificação em Goiás. O caso deixa Mato Grosso do Sul e os demais estados da região em atenção. “Para o mosquito transmissor da doença não existe fronteiras, por isso temos que cuidar do nosso espaço”, afirmou Ângela. Conforme ela, o momento é união de forças e mobilização o combate do Aedes aegypti.

Prevenção

Para prevenir as doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti, que transmite doenças como dengue, zika vírus e chikungunya, é necessário evitar a proliferação do vetor, que se desenvolve em água parada. Manter caixas ou barris de água fechados com tampa adequada; não deixar água da chuva acumulada sobre a laje; eliminar folhas, galhos e qualquer obstáculo que possa impedir a água de fluir pelas calhas; encher de areia até a borda os pratos dos vasos de plantas; e guardar garrafas de cabeça para baixo são ações fundamentais.

As demais dicas são: não deixar pneus expostos com água; colocar o lixo em sacos plásticos fechados; lavar com sabão e escovas o interior dos tanques utilizados para armazenar água; usar repelentes à base de DEET em áreas de risco de dengue; colocar telas de proteção nas portas e janelas; e usar mosquiteiros.

Sobre os sintomas da doença, Ângela lembra que “a zika deixa a pessoa em estado febril, com coceiras e manchas na pele”. “Ela não desperta preocupação grande quanto a dengue. Mas o alerta vale para mulheres grávidas. Essa é a grande preocupação”, falou.

 

 

Para as gestantes, é fundamental manter acompanhamento médico e consultas de pré-natal, com realização de todos os exames recomendados pelo médico. Segundo recomendações emitidas pelo Ministério da Saúde é importante adotar medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doença, com a eliminação de criadouros.

A microcefalia não é um agravo novo. Trata-se de uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Na atual situação, a investigação da causa é que tem preocupado as autoridades de saúde. Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico menor que o normal, que habitualmente é superior a 33 cm. Esse defeito congênito pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como as substâncias químicas, agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação.

Campanha estadual

Ampliar a conscientização para evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti é o principal objetivo da campanha de prevenção à dengue, chikungunya e zika vírus lançada na pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Mato Grosso do Sul no dia 20 de novembro. A meta é reforçar os trabalhos nos 79 municípios para evitar ambientes favoráveis para a reprodução do mosquito.

Para secretário de estado de saúde, Nelson Tavares, as ações da SES têm direcionado esforços constantes em parceria com os municípios na conscientização da população para assim evitar criadouros do mosquito transmissor.

“A SES está atuando praticamente em duas frentes, na arte estrutural das equipes que trabalham no monitoramento dos focos do mosquito e também no trabalho junto a população. Sem a participação da sociedade a campanha não atinge o seu objetivo, por isso reforçamos esse compromisso nas ações. É importante que cada pessoa assuma estas ações”, disse o secretário.