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OMS afirma que zika vírus “se expande de forma explosiva”
A diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, afirmou, em reunião realizada na última quinta-fera (28) para discutir o avanço da infecção pelo zika, que o vírus se "expande de maneira explosiva" na América Latina. "Até o dia de hoje, há relatos de casos em 23 países ou territórios da região. O nível de alerta é extremamente alto", ressaltou ela. O especialista em doenças infecciosas da OMS, Marcos Espinal, afirmou que calcula que entre três e quatro milhões de pessoas serão infectadas pelo vírus nas Américas, sem, no entanto, dizer se isso acontecerá este ano.
Espinal também lembrou que o vírus chegará a todas as regiões em que houver o Aedes aegypti. Segundo os mapas de extensão da dengue (que tem como vetor o mesmo mosquito), esse território vai do sul dos EUA até a Argentina. Apenas Canadá e Chile ficam de fora da área de influência do mosquito. Diante da situação, Chan avisou que na próxima segunda-feira (1º), o Comitê de Emergência da organização se reunirá para tratar do tema.
O vírus zika, que geralmente provoca uma infecção leve e assintomática, está sendo associado a dois problemas de saúde mais graves: o nascimento de crianças com microcefalia e alguns casos da Síndrome de Guillain-Barré. Microcefalia é um desenvolvimento anormal do cérebro e do crânio do feto, causado por uma infecção provocada pelo vírus que pode levar a deficiências em diferentes graus; a Síndrome é um distúrbio neurológico, que tem origem autoimune e causa fraqueza, perda de reflexos, dormência, dor e visão turva, entre outros sintomas. A relação entre estas complicações e o zika não está demonstrada, mas sua alta probabilidade fez com que passasse de "uma ameaça leve a uma de proporções alarmantes".
Além disso, neste momento, ao contrário do que ocorreu na África, onde se originou, há os agravantes de que uma ampla parcela da população não está imunizada, já que é a primeira vez que se expõe ao vírus; que o mosquito está amplamente disseminado pelo continente; e que o fenômeno climático El Niño, uma mudança nos padrões das chuvas, tem sido muito intenso este ano, o que fará com que as estações chuvosas durem mais tempo, adverte a OMS. Também não há tratamentos ou vacinas para o zika. Segundo as autoridades sanitárias brasileiras, onde a doença explodiu, a confecção de uma vacina pode demorar no mínimo dois anos.
Microcefalia no Brasil
Na última quarta-feira (27), o Ministério da Saúde brasileiro divulgou um novo relatório sobre os casos de microcefalia no país. Entre 22 de outubro do ano passado e 20 de janeiro de 2016, os Estados registraram 4.180 casos suspeitos da condição e 270 foram confirmados. Com o descarte de 462 casos que foram notificados, mas não atendiam os critérios, 3.448 casos continuam sendo investigados.
O ministério também afirmou que há uma tendência de queda no número de casos notificados pelos Estados, algo que já era de certa forma esperado já que o mosquito que transmite o zika, o Aedes aegypti, circula com mais frequência entre os meses de fevereiro e abril. Os bebês nascidos em janeiro foram concebidos no final do pico de surto da doença. O país trabalha agora para evitar que o Aedes se prolifere com força a partir de fevereiro