A tragédia era anunciada. No domingo (26), Zezuita Santana Braga, de 54 anos, morreu após ser atropelada por uma caminhonete ao atravessar a Avenida Euler de Azevedo. O acidente ocorreu próximo à UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), e já é a terceira morte na região. Para diminuir os riscos, finalmente, a duplicação da avenida deve ser iniciada em 15 dias.

Em janeiro de 2016, o governo do Estado declarou que, em 60 dias, iniciaria a adequação da capacidade de tráfego da avenida. No entanto, o prazo não foi cumprido. De acordo com a assessoria do governo do Estado, o projeto precisa apenas da ordem inicial do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), responsável por conceder licenciamento ambiental para a liberação da obra. 

A duplicação é uma obra do Estado junto a Prefeitura, já que a avenida é uma rodovia (MS-080) que passa dentro da Capital. Segundo a assessoria do governo estadual, o Executivo municipal demorou em liberar o projeto. “Quando fizemos o projeto, ele teve que ir para a Planurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano), para apreciação da Prefeitura, que fez uma série de readequações nele, entre elas, a exigência de um licenciamento ambiental. A Agesul (Agencia Estadual de Gestão de Empreendimentos) já encaminhou para o Imasul, e acreditamos que mês que vem a ordem de serviço será publicada”.

A assessoria do Imasul confirmou a informação. A Seinfra (Secretaria de Estado de Infraestrutura) deu entrada na documentação do projeto, que está no prazo normal, e em 15 dias o licenciamento ambiental deve ficar pronto.  

Apesar da resposta do governo, a demora preocupa a comunidade. Segundo o professor André Silva, recém-formado em Geografia pela UEMS, desde o ano passado os acadêmicos reivindicam melhorias na sinalização do trânsito no local. “A UEMS mudou para lá só que a estrutura viária não tava preparada, não tinha finalização, não tinha faixa, não tinha lombada, e é uma das saídas da cidade pra Rochedo, e a gente vem reivindicando desde o ano passado que se façam obras de finalização pra evitar acidente”, explica. Segundo Silva, motoristas dirigem a 120 km/h em frente à universidade. “A gente fica nessa, protesta, quantas mortes são necessárias para essa ordem de início da duplicação?”, questiona André.

Obra

A obra compreende um trecho de 4,5 quilômetros, entre a Avenida Presidente Vargas e o anel rodoviário na saída para Rochedo. O valor total do contrato é de R$ 14,7 milhões e o prazo para a execução será de um ano, contado a partir da ordem de início. A chegada da UEMS em 2015 aumentou o fluxo na MS-080, onde também está localizado o Detran.