Em despacho assinado no último dia 17 de janeiro, o promotor Gevair Ferreira, titular da 49ª Promotoria de Campo Grande, determinou o arquivamento do inquérito civil 06.2016.000000850.0, instaurado em 21 de junho de 2016. O objetivo foi apurar se a ex-secretária estadual de Saúde, Beatriz Dobashi e o ex-diretor do Hospital Regional, Ronaldo Queiroz, incorrem em crime de responsabilidade administrativa, por eventuais prejuízos que teriam causado a saúde pública de Mato Grosso do Sul.

O representante do Ministério Público concluiu que não ficou comprovado ao longo das investigações  que os dois médicos tenham contribuído para favorecer  uma suposta “Máfia do Sangue”, denunciada pela Polícia Federal, tendo como maior beneficiário o oncologista Adalberto Siufi.

Para tomar sua decisão, o promotor levou em conta que Dobashi  e Ronaldo  “não foram indiciados pela Polícia Federal”  no âmbito da “Operação Sangue Frio”,  daí porque “ os motivos que impulsionaram  a ação desta Promotoria de Justiça não subsistem mais, o que , por consequência lógica, autorizam o arquivamento destes autos”. 

No inquérito, os federais relataram que nas investigações que recairam sobre  Ronaldo e Beatriz,  não foram “encontrados elementos suficientes para caracterizar eventual nos fatos investigados”. Além disso, prossegue o delegado que comandou o inquérito, mencionado na decisão do promotor, não houve “omissão por parte dos requeridos , haja vista que as irregularidades apontadas no Hospital Regional pela CPI da Saúde, foram devidamente sanadas, bem como todas as informações solicitadas foram devidamente prestados pelos ora requeridos”.

A  Operação Sangue Frio, deflagrada em 2013, contou com a participação  da Polícia Federal e a Controladoria Geral da União. Ganhou as manchetes da mídia, ao apontar a existência  de uma suposta Máfia do Câncer, cujo maior beneficiário seria o médico Adalberto  Abrão Siufi, diretor do Hospital do Câncer e dono da Clínica Neorad, que na época praticamente monopolizava o tratamento oncológico em Campo Grande.

O vazamento de trechos de ligações telefônicas da ex-secretária e do ex-diretor do Regional, fora do contexto das conversações, gerou uma espécie pré-julgamento de que ambos teriam tramado para  impedir que um equipamento de radioterapia fosse instalado no hospital público, com intuito de favorecer a clínica de Siufi.  Estas ilações, acabaram criando o ambiente para que ambos pedissem exoneração dos seus cargos.

Jornalismo sério

Na época, o Jornal de Domingo, na sua edição 1010 de 28 de julho de 2013,  veiculou  reportagem com base numa auditoria do DENASUS (Departamento Nacional de Auditorias do SUS) , com documentos e constatações que desmontavam a teoria da existência de uma “Máfia do Câncer”.  O documento mostrava que Beatriz e Ronaldo , na realidade, trabalharam que  o novo acelerador linear fosse para o Hospital do Câncer, já que naquela momento, o Regional não teria condições de receber o equipamento de radioterapia.


Ao contrario de toda a imprensa da capital, que mostravam "evidencias" que a ex secretaria o ex-diretor do hospital eram participes de uma "máfia" , o Jornal de Domingo, divulgou matéria na mão contrária, que a máfia não existia, e sim ações localizadas sem um comando central como se sugeria.

A conclusão, veio de uma reportagem assinada pelo repórter especial Flavio Paes, que se debruçou durante uma semana em documentos que retratavam o dia a dia da saúde em MS, e a comunicação das autoridades estaduais como o ministério da saúde.

Quatro anos depois, a conclusão do MP e da PF, nada mais é que algo adiantado aos nossos leitores ainda no inicio do processo.

Na época, Dobashi e Ronaldo, pediram demissão de seus cargos, sem que ninguém do governo André Puccinelli, levantasse a voz em favor de ambos.