Em Mato Grosso do Sul, onde nove em cada dez detentos são homens, as mulheres representam 42,2% do quadro de servidores da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), atuando desde ações de assistência à segurança e custódia de reeducandos.

Atualmente, trabalham na Agepen 577 agentes penitenciárias, que em meio a um ambiente cercado por muralhas e grades, e na lida com pessoas com histórico de criminalidade e violência, mostram a sua força e sensibilidade para manter a segurança e disciplina nas unidades prisionais do Estado.

No sistema penitenciário, a figura da mulher como sexo frágil é uma mentira absurda, como diz música. É o que assegura a servidora Solange Maria Cazeto, que trabalha como chefe de equipe no Estabelecimento Penal Feminino Irmã Irma Zorzi. Segundo ela, o fundamental do trabalho é ter firmeza nas decisões sem perder o olhar humano sobre cada situação.

“É preciso termos pulso firme, mas sem deixarmos de ser justas, e, principalmente no caso do presídio feminino, onde somos mulheres lidando com mulheres, é importante estabelecer limites, sem esquecer dos direitos e necessidades de cada uma”, ressalta.

Há 17 anos trabalhando no presídio feminino da Capital, Solange garante que muitos fatos positivos marcam a sua vida profissional, como casos de ex-detentas que encontra na rua com as vidas transformadas. Entre as histórias guardadas em sua memória profissional, uma a agente penitenciária classifica como especial: a realização de um parto no presídio.

“A interna já tinha ido até a unidade de saúde, mas o médico mandou de volta, ficamos monitorando e decidimos encaminhá-la novamente, mas não deu tempo e acabou ocorrendo nas minhas mãos, foi muito rápido, então eu desenrolei o cordão umbilical do pescoço do bebê, o cobri com um lençol e coloquei em cima da sua mãe”, conta. “Na hora eu agi de forma fria, para poder resolver a situação, mas depois eu desabei em choro, foi um momento muito especial trazer uma vida ao mundo, mesmo sendo nas circunstâncias que foi ”, comenta emocionada. Além da experiência marcante, a servidora também ganhou uma homenagem especial da interna, que deu o nome de Vitória Solange à criança.

Além da importante participação no quantitativo de servidores, as mulheres, cada vez mais, estão ganhando espaço nas funções de chefia e de confiança na Agepen, representando atualmente 37,8% dos cargos disponibilizados.