Marcelo Odebresht, em delação à Procuradoria Geral da República citou participação da ex-presidente Dilma Roussef e do presidente Michel Temer em envolvimento sobre doações e contratos irregulares.

Sobre a ex-presidente Dilma Roussef, Marcelo disse que ela sabia de irregularidades em contratos da Petrobras relacionado ao Plano de Ação de Certificação em Segurança, Meio Ambiente e Saúde (PAC SMS).

Marcelo disse que recebeu uma ligação de Graça Foster, então presidente da Petrobras, quando estava na Angola. No telefonema, Graça o questionava sobre pagamento ao PMDB em 2010, antes disso, nunca tinha falado sobre propina com Graça Foster nem com a ex-presidente Dilma. 

"Ela queria saber quem estaria recebendo o dinheiro pelo PMDB", disse sobre Dilma. "O que ela estava preocupada era com esse pagamento para a eleição de 2010 para o grupo do PMDB." E Dilma teria dito: "Você e Graça têm que se entender de volta". Naquele momento já havia uma comissão interna de apuração na Petrobras e um executivo da Odebrecht estava sendo investigado pelo Ministério Público.

O empresário afirma que no final nada se resolveu, o contrato foi renegociado e teve prejuízo. O valor da propina seria entre 10 e 20 milhões de reais.  

Ele também relatou como foram feitos pagamentos para partidos da coalizão da candidatura de Dilma Rousseff à presidência em 2014. Além disso, explicou como funcionava a 'planilha pós-Itália', com dinheiro entregue ao então ministro da Fazenda Guido Mantega. Também classificou a construção do estádio do Corinthians, o Itaquerão, como "pepino".

Confira o vídeo em que o ex-executivo cita Dilma na delação:

 

Michel Temer

Odebresht ainda falou sobre jantar em 2014 com Temer, para acertar doação de R$ 10 milhões, para o grupo político do então candidato à vice-presidência. 

Ele afirma que Temer não falou de valores em nenhum momento e que saiu do jantar na hora em que o acerto seria feito. 

"Acho que Temer não falaria de dinheiro nem comigo, nem com a esposa, com ninguém. No jantar tem aquele negócio, fala-se de política, apoio, agradeço o apoio que vocês estão dando sem mencionar valor…", diz. Mas depois Temer saiu, e a negociação foi feita entre Odebrecht, o ex-diretor de Relações Institucionais da empresa, Cláudio Melo Filho e Eliseu Padilha.

Confira o vídeo em que o ex-executivo cita Temer na delação: