Um grupo de especialistas da organização britânica Foundation for Responsible Robotics divulgou nesta quarta-feira (5) um relatório pedindo que governos analisem a utilização de robôs como brinquedos sexuais. O pedido é para que eles se debrucem sobre o tema para regular o que pode ou não ser permitido.

Os brinquedos sexuais são usados por séculos, mas a tecnologia está transformando este mercado. Algumas companhias já produzem bonecos, na maioria das vezes femininos, que reproduzem com perfeição o corpo humano. E com inteligência artificial, eles estão ganhando a capacidade de interagir emocionalmente, o que levanta sérias questões éticas, ao menos é essa a percepção da organização britânica Foundation for Responsible Robotics. 

“Nós precisamos que os legisladores olhem sobre o assunto e o público em geral para decidir o que é aceitável e permissível”, disse Noel Sharkey, um dos autores do relatório.

Algumas companhias entregam um parceiro sexual robótico sobre medida para os clientes por valores entre US$ 5 mil e US$ 15 mil. A aparência é a parte mais customizável, com diferentes opções de cor dos olhos, cabelo, orelha, cor da pele e maquiagem. O formato do corpo também pode ser definido. Nenhum boneco é capaz de andar, ainda, mas uma companhia apresenta seu produto como sendo capaz de realizar “50 posições sexuais automáticas”. Outra fabricante diz que sua boneca é capaz de simular o orgasmo, com “articulação no pescoço.

E como os bonecos são fabricados com silicone, é possível criar qualquer formato de corpo, inclusive de crianças. A empresa japonesa Trottla produz bonecas realistas que imitam as feições de meninas. A ideia pode parecer repulsiva, mas existem defensores do uso desses bonecos como terapia sexual para prevenir crimes sexuais, como estupros e pedofilia. Porém, enquanto uns defendem, outros sugerem que tal prática apenas serviria de incentivo para os criminosos sexuais.

Os autores do relatório não chegam a uma conclusão, mas sugerem que usar robôs para prevenir crimes não seja uma boa ideia. Por um lado, defensores afirmam que potenciais criminosos possam satisfazer seus fetiches sem vitimar humanos, mas muitos alegam que seria uma indulgência que encorajaria e reforçaria práticas sexuais ilícitas.“Isso pode funcionar para alguns, mas é um caminho muito perigoso”, aponta o relatório. 

Os especialistas levantam outras questões polêmicas sobre o futuro que estamos trilhando. No Japão existe um serviço que aluga bonecas sexuais, como um serviço de acompanhantes. Em Barcelona, na Espanha, foi aberto este ano o LumiDoll, algo como um prostíbulo com bonecas, que cobra 100 euros por hora para que os clientes “realizem suas fantasias sem qualquer limite”.

Kathleen Richardson, especialista em ética robótica na Universidade de Montfort, no Reino Unido, acredita que os robôs sexuais, inevitavelmente, vão “aumentar o isolamento social”. Sharkey lembrou sobre o descompasso entre o que é oferecido pelas companhias e a realidade. “Os fabricantes de robôs sexuais querem criar uma experiência mais próxima possível de um encontro sexual humano. Mas os robôs não podem sentir amor, carinho ou formar laços emocionais. O máximo que podem fazer é fingir”, disse.