Geral
Setembro amarelo: "o papel da Igreja é acolher e não julgar"
Quando o assunto é o suicídio a Igreja luta pela acolhida das pessoas frágeis para que através da fé possam se manter vivas
Buscando fazer com que o assunto do Setembro Amarelo deixe de ser “tabu” o JD1 Notícias buscou informações em diversos nichos da sociedade para saber como cada um trata do assunto. E não podíamos deixar de conversar com os representantes das igrejas, afinal para algumas pessoas a fé é a salvação para caminhos escuros como este.
Dom Dimas Lara Barbosa, que é Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Campo Grande e representante da Igreja Católica na Capital, destaca primeiramente que o suicídio é um efeito colateral grave de doenças como a depressão, não pode ser tratado com leviandade e merece a atenção redobrada da sociedade.
“Eu sinto que deve haver ainda uma maior conscientização das pessoas na questão da prevenção, pois ainda na cabeça das pessoas a depressão é preguiça, vagabundagem, fraqueza, falta de entusiasmo, acomodação e são poucos os que têm consciência da depressão como doença. E é uma doença que não tem nada haver com falta de fé, menos ainda com preguiça ou algum tipo de acomodação", destaca.
O suicídio na Igreja Católica sempre foi um grande estigma, pois a principio acreditava-se que o suicida estava condenado ao inferno sem justificativas e sem exceção. No entanto Dom Dimas explica que “isso foi um estereótipo antes do desenvolvimento da psicologia moderna, por que se pensava que o suicida era alguém que tinha desacreditado da misericórdia de Deus".
"Hoje sabemos muito bem que, salvo exceções que somente Deus conhece, a grande maioria dos suicidas são pessoas que interiormente estão debilitadas, e que é difícil de avaliar a dimensão da culpa, a ponto de se impor essa pena de que o sujeito mereça a condenação eterna”, acrescenta.
O Arcebispo ainda destacou que quando se trata das pessoas que tentaram o suicídio, mas falharam, a tarefa da igreja é acolher, para que o individuo se sinta parte de algo e não tente contra a própria vida novamente. “Os padres não são psicólogos nem psiquiatras, mas uma grande sabedoria no confessionário e no aconselhamento é saber encaminhar mas, sobretudo, no que diz respeito ao pastor acolher e nunca brincar com a ideia de que o suicídio é covardia de que o individuo esteja tentando escapar da realidade, ressaltar a misericórdia de Deus”, salienta.
Na Igreja Assembleia de Deus Missões, no setor 10 Santo Amaro, o Pastor Everaldo Junior também destacou a importância da acolhida. “Trabalhamos a questão do suicídio durante o ano todo. Os grupos de oração fazem visitas a diversas famílias, independente da religião, buscando ajudar o maior número de pessoas nesta situação possível” destacou o Pastor.
O Pastor explica que ajudar para que as pessoas não cometam o erro de tirar a prórpia vida é o caminho que a Assembleia de Deus Missões toma.“O homem não tem o direito de tirar a própria vida. Por que o homem que tira a própria vida não teria direito a salvação eterna”, ressalta.
Quando o assunto é as pessoas que tentaram, mas não conseguiram, os missionários da igreja e o próprio Pastor fazem visitas à pessoa e a família e buscam levar a palavra de Deus e o amor difundido pelas escrituras para elas e dessa forma tentam mostrar que o que eles receberam foi uma segunda chance de viver.
“A igreja não julga o suicida, por que isso não cabe à igreja e sim a Deus. Mas nós amparamos a família, pois afinal naquele lar já havia um problema e não podemos deixar de ajudar um irmão em necessidade” concluiu o Pastor Everaldo Junior.