Os fazendeiros envolvidos no ataque a indígenas que resultou em uma morte em julho de 2016 na fazenda Yvu, em Caarapó, completam 20 dias presos nesta terça-feira (17). Os ruralistas estão na penitenciária de Dourados, cidade a 225 km de Campo Grande. 

Nelson Buanain Filho, Jesus Camacho, Virgílio Mettifogo, Dionei Guedin e Eduardo Yoshio Tomanaga se entregaram no dia 28 de setembro após a revogação da liminar do Supremo Tribunal Federal (STF). 

A defesa dos fazendeiros Nelson Buainain Filho e Virgílio Mettifogo, teve o pedido de habeas corpus negado e entrou com recurso no dia 6 de outubro para recorrer da decisão. “Estamos aguardando a decisão da Justiça”, explicou o advogado, Gustavo Passarelli.

STF

No dia 26 de setembro, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), a primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a prisão preventiva de cinco fazendeiros. Os ministros entenderam que não há ilegalidade nas prisões que justifique a atuação do STF e reverteu liminar que havia sido concedida em outubro de 2016.

Ataque

No dia 12 de junho de 2016, indígenas da etnia Guarani-Kaiowá ocuparam a Fazenda Yvu, em Caarapó (MS). No dia seguinte, agentes da Polícia Federal foram notificados por fazendeiros que os levaram até o local. 

No dia 14 de junho, os proprietários rurais e cerca de 200 fazendeiros, munidas de armas de fogo e rojões, se organizaram para expulsar os índios à força do local. De acordo com testemunhas, foram mais de 40 caminhonetes que cercaram os indígenas, com auxílio de uma pá carregadeira, e começaram a disparar em direção à comunidade. No ataque, oito ficaram feridos e Clodioude Aquileu Rodrigues morreu. 

Em agosto do ano passado os cinco fazendeiros foram presos e são acusados dos crimes de constituição de milícia privada, homicídio, lesão corporal e dano qualificado.