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Verruck ressalta economia “diversificada”
Indicadores econômicos e sociais apresentados pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, mostram que a transposição do Estado da bovinocultura para a agropecuária e o salto para a industrialização são responsáveis pelo grande avanço de Mato Grosso do Sul nos últimos 40 anos.
Mesmo o Estado tornando-se competitivo ao incentivar a expansão industrial e estimular o emprego de tecnologia na produção agropecuária, há muitos desafios distribuir os investimentos em todas as regiões, em razão da baixa densidade demográfica na maioria das cidades, lembra o secretário.
Em entrevista ao site Semana On, Verruck cita o exemplo de São Gabriel do Oeste, onde está o maior complexo frigorífico de carne suína. A empresa Alvorada importa mão de obra de cidades vizinhas para manter o ritmo de produção. Pelo menos 300 funcionários moram em Rio Verde e outros 100 em Camapuã. Em razão disso, os empreendimentos estão se concentrando em cidades mais populosas. Quatro cidades com mais de 100 mil habitantes concentram os parques industriais – Campo Grande, Dourados, Corumbá e Três Lagoas.
Em 1980 o Estado tinha uma população de 1,3 milhão de habitantes. Neste ano a população alcança 2,6 milhões de habitantes. O aspecto positivo, segundo Werruck, é a faixa etária da maioria da população. Diferentemente do resto do Brasil, de acordo com a pirâmide etária, por um bom tempo MS terá uma população economicamente ativa bastante jovem.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado cresce acima da média nacional. A projeção deste ano aponta crescimento de 0,5% em nível nacional, enquanto o PIB estadual deve crescer 2,5%. No período de 2002 a 2014 o crescimento chegou a 70,65%.
A agropecuária continua sendo a base da economia, registrou safras recordes de soja e milho e avança no setor sucroenergético, mas ainda tem potencial para crescer muito mais, pois há 750 mil hectares de áreas ociosas. E o crescimento agrícola se dá em áreas de pastagens e é cada vez maior a integração lavoura-pecuária.
De acordo com o secretário Jaime Verruck, o setor pecuário, embora tenha cedido áreas para o cultivo de grãos, registra crescimento na produção, embora esse seja um dos desafios, não apenas na bovinocultura, mas também na avicultura e suinocultura. Nesses três segmentos Da pecuária há muito espaço para crescer. A Semagro tem registrado muitos pedidos de licenciamento pecuária intensiva. A ociosidade na produção de carne é de 40% da capacidade instalada de frigoríficos, segundo o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Produção e Agricultura Familiar.
A suinocultura é um dos segmentos ociosos. Para manter o ritmo de processamento, os frigoríficos importam de outros estados nada menos que 500 mil suínos-dia, entre leitões e porcos prontos ao abate. Na avicultura também há espaço para crescimento. Dos 220 aviários, 50% são de pequenos e médios produtos.
Os indicadores sociais são os principais parâmetros da economia regional e no caso dos níveis de emprego, o secretário Jaime Verruck lembra que é preciso entender que no caso de Três Lagoas, foram geradas 8 mil vagas na fase das obras civis da expansão do conglomerado de celulose. Findada essa fase de construção, acabam os postos de trabalho, mas surgem outras vagas para mão-de-obra qualificada, para a fase operacional.
Verruck destacou também a expansão do setor sucroenergético. As usinas de álcool estão ampliando a produção de açúcar, etanos e geração de energia a partir da biomassa; a expansão da silvicultura, que já ocupa uma área de 1 milhão e 56 mil hectares com o plantio de eucalipto. Nesse segmento, há o problema da produção fora do raio das fábricas de celulose. Com o aumento de 3 milhões para 5 milhões de toneladas ano, a demanda por celulose deve absorver a produção de eucalipto, mas em outras regiões, a oferta está restrita ao setor siderúrgico, módulos de madeira e comércio de carvão para usos diversos.
Um fato positivo nos indicadores de emprego, com a participação dos setores público e privado. Para o Governo, é muito positivo o fato de o Estado estar saindo da posição de grande patrão. Hoje a participação do poder público na geração de postos de trabalho é de 20%, abaixo do setor de serviços. “O papel do Estado é de indutor do desenvolvimento e não empregador”.
Segundo Verruck, o grande gargalo hoje é a logística, melhoria das estradas vicinais e pontes para escoamento da produção. Toda produção passa por uma estrada vicinal. O secretário, o principal desafio é melhorar as condições de escoamento dos produtos e o ideal é a estruturação de um sistema intermodal, com a integração dos transportes rodoviário, hidroviário e ferroviário.