Juliana Maria Pires Garcia, 34 anos, corre riscos diariamente no maior corredor gastronômico da Capital, a Avenida Bom Pastor.

A jovem é cadeirante e precisa dividir espaço com os carros na avenida por causa da falta de acessibilidade adequada para que ela possa usar as calçadas da via. “Eu tenho medo de cair nas rampas”, disse Juliana ao se referir às rampas com inclinações fora de padrão.

Em alguns pontos da avenida, a calçada é tão precária que até os pedestres tem que andar com cuidado para não tropeçarem.

Juliana nasceu com paralisia cerebral, e vende doces na avenida desde quando ganhou uma cadeira motorizada. “Um amigo meu faleceu e deixou a cadeira pra mim, a partir daí comecei a trabalhar para ter um dinheiro a mais e pagar as contas”, relatou.

Ela disse que tem um ponto fixo em frente a um dos comércios, porém, para que ela consiga vender um pouco mais, precisa transitar pela avenida a procura de clientes. “Estou feliz porque tenho lucro e posso trabalhar só lamento pelas condições das calçadas”, contou.

A cadeirante classifica a situação de não ter calçadas adequadas como uma forma de  preconceito. “Isso é o básico, ainda tem os banheiros adaptados que não são fáceis de encontrar, quantas vezes precisei voltar pra casa porque não encontrei banheiro adaptado”, lamentou.

Juliana é apenas mais uma das centenas de cadeirantes que enfrentam dificuldades em Campo Grande. A redação entrou em contato com a prefeitura para tomar conhecimento de projetos de acessibilidade na cidade, porém, até o fechamento da matéria, não obteve resposta. 

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