A secretária municipal de Educação, Ilza Mateus, participou nesta terça-feira (24), em Brasília, do lançamento mundial do Relatório de Monitoramento Global da Educação 2017/8, publicado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). É a primeira vez que o evento ocorre no país.

O documento faz uma análise sobre como os professores, pais, escolas, estudantes, governos, a comunidade internacional e sociedade civil podem contribuir para oferecer um ensino mais eficaz. No entanto, para isso, é necessário que todos os agentes envolvidos no processo atuem de forma conjunta, garantindo que a responsabilidade pela educação ocorra de forma compartilhada, caso contrário, pode acarretar em prejuízos ao aluno.

O lançamento do Relatório ocorreu de forma simultânea no Brasil, Londres (Reino Unido) e Maputo (Moçambique). A abertura do evento aconteceu na sede do Tribunal de Contas da União e contou com a presença da ministra interina de Educação, Maria Helena Guimarães Castro e de ministros de países da América Latina, que participaram de um painel ministerial sob mediação da jornalista Mônica Waldvogel.

A edição lançada nesta terça-feira é a segunda de uma série de 15 documentos anuais que serão divulgados até 2030 e têm o propósito de avaliar os progressos para se alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de Educação, acordado internacionalmente.

A publicação apresenta dados informativos de diversas fontes aos gestores de políticas públicas e orienta sobre como atingir as populações marginalizadas, o que o torna uma ferramenta importante no apoio à oferta de educação básica inclusiva e de qualidade.

A secretária Ilza Mateus afirmou que outro ponto destacado pelo documento é a importância da comunidade escolar escolher os diretores de escolas. A questão, inclusive, vem sendo discutida entre a Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP) desde o início do ano e é uma das prioridades da gestão atual.

Experiências

Além da ministra interina, fizeram parte do painel ministerial, a ministra da Educação de Honduras, Rutilia Calderón, e o ministro da Educação de El Salvador, Carlos Maurício Canjura Linares. A secretária disse que uma das experiências compartilhadas que mais chamou a atenção, foi o aplicativo “Vamos a la classe”, criado pelo governo de Honduras, que possibilita  um contato direto entre os pais e a escola.

Também foi ressaltado que as escolas hondurenhas que recebem recursos devem apresentar uma prestação de contas a cada trimestre e os professores são avaliados pelos pais nesse mesmo intervalo de tempo.

O debate que encerrou o evento teve como tema “O papel da sociedade civil e das instituições autônomas para aumentar a responsabilização na educação”. Dele fizeram parte Zama Neff, diretora-executiva da Divisão do Direito da Criança da Human Rights Watch, organização internacional não governamental que defende e realiza pesquisas sobre os direitos humanos e que trabalha para garantir educação em área de conflitos.

A diretora-executiva afirmou que uma campanha está sendo desenvolvida em vários países, pois foram identificadas falhas e discriminações com crianças refugiadas.

De acordo com a secretária Ilza Mateus, o papel da sociedade civil é fundamental para ajudar na solução de problemas, pois um dos exemplos mencionados no debate foi o de uma ONG, criada por mães que denunciaram à ONU que seus filhos não tinham oportunidades de estudar na África.

O coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, Naércio Menezes, disse que houve muitos avanços, como a universalização do acesso da educação, mas considera que ainda existem muitas desigualdades sociais. Em sua opinião, visitas domiciliares a famílias de baixa renda, com o objetivo de levar informações, ajudam a minimizar o problema.

Para a secretária Ilza Mateus, o acesso ao Relatório é fundamental para todos os gestores, pois ele apresenta exemplos de ações que contribuem para o cumprimento das responsabilidades de cada agente envolvido no processo ensino-aprendizagem, além de recomendar políticas possíveis que podem ser aplicadas nas esferas nacional, regional e global.

“O documento aponta direcionamentos que podem auxiliar os gestores a construir um sistema educacional forte, que valoriza a participação da sociedade. Ele também destaca a importância de aplicar os recursos da educação de forma correta. Apenas com a participação de todos os envolvidos no processo poderemos superar os desafios”, pontuou Ilza.