No próximo dia 13 de novembro a Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), que administra a Santa Casa, realiza a eleição da nova presidência. Estão na disputa da vaga do maios hospital do Estado apenas dois candidatos: Esacheu Cipriano Nascimento, o atual presidente, e seu ex-aliado Jesus Alfredo Ruiz Sulzer.

Quem assumir a vaga vai administrar orçamento anual superior a R$ 243 milhões apenas em repasses do Sistema Único de Saúde (SUS). No trâmite do processo de eleição primeiro está prevista a escolha de novos conselheiros, que tem 50% de suas vagas renovadas as cada dois anos, ou seja, de um total de 18, nove novos conselheiros serão eleitos.

A frente da Chapa 1 está Alfredo Sulzer, que deixou o cargo de vice-presidente após desentendimentos com o agora rival. Ele teria deixado o cargo após descordar com contratações desnecessárias e empréstimos bancários milionários feitos pelo atual presidente.

Sulzer explicou à reportagem que sua Chapa é formada por pessoas que conhecem o dia a dia da Santa há muito tempo e por vivenciar os problemas rotineiros poderão realizar um trabalho para melhorias no hospital. Ele contou ainda que motivos bem pontuais fizeram com que ele resolvesse concorrer ao cargo de presidente.

“Eu não concordo com o que está acontecendo na Santa Casa. Esta administração é temerária e o endividamento só aumenta”, salienta.

Alfredo Sulzer ainda destaca que seu principal objetivo é mudar essa realidade das contas da Santa Casa. Lembrando que o atual déficit é de R$ 3 milhões mensal, ele conta que se for eleito seu primeiro objetivo é equilibrar as contas do hospital e fazer com que a despesa seja do tamanho da receita. Mas ele diz que tem consciência de que não será uma tarefa fácil.

“Será uma tarefa de dedicação e emprenho. Uma tarefa para pessoas focadas no dia a dia da Santa Casa. Quero trabalhar com a equipe e os conselheiros bem próximos e evitar que o presidente tome iniciativas isoladas, sem consulta aos conselheiros. Quero aproveitar o potencial de cada pessoa que compõe a administração”, conclui.

Tentando sua reeleição, Esacheu Nascimento lidera a Chapa 2. Ele contou que poucas mudança foram feitas em relação a composição da diretoria, uma delas será na vice-presidência. Para ocupar o cargo Esacheu chamou a ex-conselheira federal do CRA-MS (Conselho Regional de Administração de Mato Grosso do Sul), Gracita Hortência Santos Barbosa.

Esacheu salienta que nesses 22 meses a frente da Santa Casa foi possível realizar muitas melhorias. “Do ano passado para cá fizemos muitas reformas no prédio. Foram reformados o centro cirúrgico da maternidade, o que a tornou a mais moderna de Campo Grande, reformamos o 4º e o 5º andar, conseguimos doações de tinta e pintamos toda a fachada, fizemos mudança da eficiência energética e no paisagismo, recapeamos os acesso de entrada. Foram inúmeras realização”, destaca.

Sobre o déficit do hospital, o atual presidente explica que este é um problema que assola as Santa Casas não só do Brasil, mas de outros lugares do mundo, há anos e que com algumas medidas que envolvem o governo pretende chegar a uma solução. 

“As Santas Casas existem a mais de 500 anos. Tenho um livro de Portugal que conta que todas sempre tiveram dificuldades financeiras. Nos últimos anos ela se agravou e somente no Brasil a dívida é de mais de R$ 8 bilhões. Campo Grande deve mais de R$ 100 milhões, mas a dívida está sendo negociada. O governo não paga o que deve para que possamos atender a população, mas oferece outras formas”, diz Esacheu.

Uma alternativa oferecida pelo governo, segundo Esacheu, é um decreto que será publicado daqui a alguns dias autorizando o BNDS a refinanciar as dívidas com juros baixos. “Isso permite que as Santas Casas tenham controle efetivo sobre o que disponibiliza mensalmente para pagar parcelas da dívida e sobra dinheiro para capital de giro e compras de remédios. Quem tem dinheiro compra a vista”, explica.

Esacheu conclui com um pedido aos associados.  Faço um apelo a todos os associados para que segunda-feira, às 18 horas, estejam na Santa Casa e possam nos honrar para que possamos ter a possibilidade de permanecer trabalhando e favor da santa Casa e em favor da população”, conclui. 

A eleição do presidente acontece dia 13 de novembro, após os nove conselheiros eleitos serem anunciados. Mas a posse no cargo maior da instituição será apenas no dia 13 de janeiro de 2018.