Na manhã desta terça-feira (28) foi aprovado o Projeto de Lei 253/2017 proposto pelo Governo Estadual que prevê a reforma previdenciária para os servidores estaduais. A sessão foi muito conturbada, cheia de imprevistos e violência, tanto da parte dos manifestantes quanto da polícia.

O PL prevê a unificação dos fundos de aposentadoria dos servidores e o aumento da alíquota dos servidores de 11% para 14% ao mês e do patronal de 22% para 28%. E em meio a muita gritaria dos manifestantes, por 13 votos a 7 a Reforma da Previdência em Mato Grosso do Sul foi aprovada em segunda votação na Assembleia Legislativa.

A aposentada Maria Aparecida Calarge, que é membro do Sindijus, disse que o sentimento que fica é o de revolta. “É uma decepção para o servidor público, mas agora eu acho que cabe a nós, irmos requer nossos recursos judiciais. Ninguém vai ficar parado e nós vamos atrás de todos os nossos direitos, por que a gente acredita que ainda tem justiça” concluiu a aposentada que faz parte da chapa que irá assumir o Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul no ano de 2018.

Maria Aparecida ainda frisou que vão lutar na justiça para que o PL não seja aprovado ou para que ao menos sejam minimizados os efeitos para os servidores. “Agora é a hora de procurarmos nas miudezas maneiras de minimizar o prejuízo que já está feito”.

A aposentada ainda comentou que os servidores não acreditam na emenda do projeto que prevê a devolução do valor do fundo previdenciário aos servidores em 60 vezes. “Ninguém acredita! Eu acho que ele não tem tempo para isso. Ele está prometendo uma coisa que é outro que terá que fazer. Ele sabe que não será reeleito, ou seja tá contando com a boa vontade de alguém que vai chegar depois dele”,disse decepcionada com as promessas.

O Presidente da Fetems, Jaime Teixeira, também disse que o sindicato irá procurar a justiça. “Nós avaliamos a votação como o resultado de uma Assembleia submissa ao Executivo. A ação policial foi tão desastrosa como o Governador irresponsável. Essa votação foi um exemplo claro de um ataque violento à democracia, já que os deputados foram covardes e votaram de cabeça baixa. O próximo passo é sim a judicialização”.

A Sessão

Uma servidora, que não quis se identificar, disse que trabalha na assembleia reclamou da forma com que os policiais estavam agindo. “É uma vergonha ser servidora dessa Casa! É um absurdo a forma com que eles estão tratando as pessoas”.  A servidora ainda reclamou da presença dos cães que estavam sendo usados pela PM na segurança da sessão. “É um absurdo eles estão intimidando as pessoas com esses cachorros”.

Dentro do plenário os ânimos estavam quentes e a indignação dos servidores presentes na era gigante, em meio a gritos de “ladrão”, “vagabundo” e “covarde”, a cada voto os deputados eram aclamados ou vaiados.

Depois que foi anunciado o resultado da votação, vários servidores deixaram o plenário revoltados. E os deputados que votaram contra a reforma deixaram o plenário tranquilos, andando em meio aos manifestantes.