Sem o apoio federal, Mato Grosso do Sul assumiu o papel de protagonista no combate ao tráfico na fronteira com o Paraguai e Bolívia. São mais de 1.500 quilômetros de fronteira seca cuja segurança, hoje, está relegada praticamente às polícias estaduais.

De acordo com a assessoria da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp), em seis anos, de 2012 a 2017, as apreensões de drogas pelas forças do estado saltaram de 87 toneladas para 427 toneladas por ano. Isso significa a apreensão de mais de uma tonelada por dia.

Na medida em que as apreensões aumentam, cresce também o número de presos, muitos deles sentenciados por tráfico e outros crimes transnacionais. Dados da Sejusp apontam que, hoje, a população carcerária do estado é de quase 17 mil presos que cumprem pena em um sistema penitenciário com capacidade para 7.327 condenados. Cerca de 40% dos presos custeados pelo estado cumprem pena por crimes federais. Uma massa carcerária que custa a Mato Grosso do Sul R$ 10,6 milhões ao mês e R$ 127,3 milhões ao ano.

O governador Reinaldo Azambuja defende que deve haver uma atuação efetiva por parte da União nas fronteiras para impedir o tráfico de drogas e armas que alimentam a violência nos grandes centros urbanos.

“O Brasil fica enxugando gelo. Não adianta ficar apenas ali no Rio de Janeiro, sendo que a porta de entrada das drogas são as fronteiras com Bolívia e Paraguai. Nós não precisamos de mais reuniões e seminários para discutir fronteira. O que precisa é ação, que o governo federal realmente entenda que se não colocarmos forças federais na fronteira vai acontecer o que nós estamos vendo no dia a dia nas grandes cidades, acabamos perdendo a guerra para o tráfico e para o crime organizado”, afirmou.