Cerca de 85 mil crianças menores de cinco anos morreram de fome desde que as hostilidades se intensificaram na guerra do Iêmen, há quase quatro anos, revela um relatório divulgado nesta quarta-feira (21) pela Organização não governamental  (ONG) Save The Children.

Segundo as estimativas da organização, feita com dados coletados pela Organização das Nações Unidas (ONU), 84.701 crianças com desnutrição aguda grave morreram entre abril 2015 e outubro de 2018, segundo os dados divulgados nas últimas horas em seu site.

Os menores que morrem de fome "sofrem à medida que as funções dos seus órgãos vitais diminuem e finalmente param", explicou Tamer Kirolos, ao ressaltar que os sistemas imunológicos dessas crianças são tão frágeis que "são mais propensas às infecções, com algumas tão fracas que não conseguem nem chorar".

"Os pais têm que presenciar como seus filhos vão sendo consumidos, incapazes de fazer nada a respeito", lembra a diretora da ONG.

Depois da intensificação do conflito, 14 milhões de pessoas estão em risco de sofrer uma crise de fome, um número que "aumentou dramaticamente" desde que a coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita impôs um bloqueio marítimo e aéreo que agravou a insegurança alimentícia no país.

Essas centenas de bombardeios na região "põem em perigo as vidas dos aproximadamente 150 mil crianças que ainda estão encurraladas na cidade", segundo a ONG, que "pede o fim imediato da guerra para que não se percam mais vidas".

"Precisamos com urgência obter alimentos com alto conteúdo de nutrientes para as crianças mais vulneráveis do Iêmen, algumas das quais estão realmente à beira do abismo", explicou Tamer, que acrescentou que "com apenas US$ 60 é possível alimentar uma família de sete membros durante um mês inteiro".