Técnicos do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) estão investigando a origem do material orgânico vegetal que obstruiu trechos do rio Miranda no último fim de semana.

O comandante da Polícia Militar Ambiental (PMA) em Miranda, tenente Antônio Rondon da Silva explica que o fenômeno é conhecido da população local. ''Ocorre todos os anos nessa época de chuvas mais intensas'', afirmou.

Nesse ano, o volume de sedimentos guiados pelas águas foi maior e acabou criando uma barreira para navegação na altura da Ponte do Calcário, área urbana da cidade de Miranda.

O material orgânico desce até parar em alguma curva do rio ou, no caso desse ano, na ponte, de onde esta sendo retirado com auxílio de máquinas da Prefeitura de Miranda.

Uma reportagem publicada em 2007 pelo Jornal Guaicuru mostra a situação se repetindo no rio Miranda, sempre nessa época do ano. A imagem mostra o leito do rio tomado por material orgânico semelhante ao de atualmente.

Ricardo Senna, secretário adjunto da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico e Agricultura Familiar (Semagro) destaca que o material é composto por vegetação nativa das margens do rio, como taquaras e bambus.

O que pode ter acontecido é que, com a intensidade das chuvas ocorridas nos últimos dias na região, a força das águas tenha arrancado essa vegetação. Outra explicação pode estar nas queimaduras ocorridas no fim da Primavera e que atingiram sobremaneira o Pantanal.

O secretário determinou ao Imasul que faça um estudo para tentar identificar a provável origem do fenômeno.

O diretor presidente do Imasul, André Borges, e fiscais do órgão se deslocaram a Miranda para verificar o ocorrido. ''Vamos fazer um sobrevoo com drones para investigar se houve algum desmatamento irregular, mas de antemão nosso entendimento é que esse material tenha sido arrancado das margens pelas fortes chuvas'', disse.

Enquanto isso, técnicos do Imasul analisam imagens de satélite feitas nos últimos dias para comparar a geografia da região antes e depois das chuvas e identificar eventuais alterações na paisagem.

Importante observar que, conforme dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (CEMTEC), órgão ligado à Semagro, choveu 138,4 milímetros na região desde o início do mês até esta segunda-feira. Em apenas um dia o volume de chuva chegou a 119,8 milímetros, segundo registro da Estação Meteorológica instalada em Miranda.