O Google Doodle sempre busca homenagear grandes nomes da história, música, arte ciências, entre vários ramos, e a primeira homenagem do ano nesta quarta-feira (6), foi em comemoração ao aniversário de psiquiatra, cientista, professor e reformador social brasileiro Juliano Moreira.

Juliano Moreira nasceu em Salvador, Bahia, no dia 6 de Janeiro de 1872. A condição de negro deveria ser um entrave para sua entrada em uma Faculdade, principalmente, considerando que a abolição da escravatura só viria por acontecer em 1888, três anos depois da sua entrada na Faculdade de Medicina.

Juliano foi um pioneiro e desbravador dos preconceitos da época em que viveu, pois não conseguiria ter a projeção que teve na vida sem vencer as dificuldades de ser negro e pertencer a classe social baixa. No entanto, Juliano matriculou-se na renomada Faculdade de Medicina da Bahia (FAMEB) aos 13 anos, através do vínculo que sua mãe tinha como doméstica na casa do Barão de Itapoã, seu padrinho e que foi um dos diretores da FAMEB.

Doutorou-se aos 18 anos (1891), com a tese “Sífilis maligna precoce” e tornou-se professor substituto da FAMEB na seção de doenças nervosas e mentais aos 23 anos. A partir de então especializou-se com cursos e estágios em vários países europeus.

A sua preparação foi o que o fez chegar a ser o diretor do Hospício Nacional de Alienados (Rio de Janeiro), primeiro Hospício do Brasil, onde introduziu práticas que refletiam um profundo conhecimento do campo psiquiátrico mundial.

Juliano Moreira promoveu uma revolução estrutural, sanitária e ética no Hospital dos Alienados no Rio desde que ocupou o cargo de diretor. Registros fotográficos mostram nitidamente leitos limpos, claros e com um aspecto digno. É comum atribuir-se a Juliano a “paternidade” da psiquiatria no Brasil (Silveira, 2008). As ações do Dr. Juliano em abolir o uso de coletes, grades e camisas de força no Hospital dos Alienados foram revolucionárias e ousadas ao ponto de mudar a visão da  sociedade em relação aos doentes mentais.

Como disse Afrânio Peixoto: “Juliano veio e mudou tudo” durante uma sessão ordinária em 23 de Maio de 1933 da Academia Brasileira de Ciências, da qual Juliano foi fundador (Peixoto, 1933). Foi autor da lei que da assistência que o governo deveria estender aos pacientes com problemas mentais em 22 de dezembro de 1903.

Destacou-se também na área da dermatologia, foi o primeiro pesquisador a identificar a leishmaniose cutâneo-mucosa, e buscou provar que a questão racial não motivava as doenças. Explorou a sifilografia e a parasitologia, além de ter sido membro de diversas sociedades médicas em todo o mundo.

Em 1984 fundou a Sociedade de Medicina e Cirurgia da Bahia e da Sociedade de Medicina Legal da Bahia (1894). Psiquiatra, ocupou o cargo de diretor no Hospício Nacional dos Alienados (1903-1930), no  Rio de Janeiro. Mudou a estrutura física e estabeleceu novos modelos assistenciais no interior dos hospícios. Criou laboratórios dentro dos hospitais e introduziu a técnica de punção lombar e do exame céfalo-raquidiano como diagnóstico neurológico. Criou o Manicômio Judiciário, em 1911.

Juliano Moreira morreu na cidade de Correias, Rio de Janeiro, no dia 2 de Maio de 1933, sem deixar filhos (El-Baniny, 2007). Em sua homenagem, em 1936, o Governo da Bahia cria o Hospital Juliano Moreira que ao longo do tempo passou por modificações. Desde 2005, possui em sua estrutura física além do centro hospitalar, um arquivo, uma biblioteca e um museu, mantidos pelo Governo do Estado da Bahia.

Na cidade de Salvador encontra-se o Memorial Juliano Moreira (Memorial JM), que é um setor do Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira. Um dos objetivos deste memorial, que funciona desde meados de 2005 como uma junção de biblioteca, arquivo e museu, além da identificação e preservação do material sobre a vida e obra de Juliano Moreira, é a valorização e a divulgação desse material.

O Memorial JM se encontra no Bairro do Cabula, próximo a rótula da Narandiba, na Avenida Edgard Santos, s/nº, com o CEP 41.211-021, sendo mantido pelo governo do estado da Bahia.

Entre seus legados na área de psiquiatria estão a fundação da Sociedade de Medicina e Cirurgia da Bahia (1894), da Sociedade de Medicina Legal (1894); a formulação de propostas e novos modelos assistenciais psiquiátricos (1903); aprovação da lei de assistência aos alienados em 22 de dezembro de 1903; fundação da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Neurologia e Ciências Afins (1905); e a criação de laboratórios nos hospitais e introdução da técnica de punção lombar para o diagnóstico neurológico (1906). Além disso, no campo da antropologia, Juliano deixa o seu legado de proteção à raça negra através da exclusão da hipótese de que as doenças ligadas à saúde mental estavam atreladas à cor dos negros, o que viria a fortalecer suas bases científicas e culturais (El-Bainy,  2007).