A corretora de imóveis Juliana Moura, veio ao JD1 Notícias, relatar “descaso”, cometido com sua mãe, que foi internada na UPA Nova Bahia em área exclusiva para Covid, mesmo testando negativo para doença.

Conforme relato, no dia 3 de abril, Maria Izabel Moura foi até a unidade com falta de ar e febre, e logo foi encaminhada para área de pacientes infectados com o novo coronavírus. A família por ter cumprido o isolamento, decidiu pagar por um exame de RT-PCR, que não foi realizado no hospital. “Eles falaram que não podia fazer exame”.

“O exame do laboratório deu negativo para covid-19  no dia 5 de abril, e mesmo assim eles continuaram a manter a minha mãe no setor de Covid, afirmando que ela tinha Covid, e de tanto a gente pedir, dia 8 de abril eles resolveram fazer um exame do Lacen que teve o resultado no dia 9, mas a gente não teve acesso”, disse a filha da paciente.

Ainda no dia 9, Maria passou mal e foi colocada em um balão de oxigênio, nesse mesmo dia, uma médica plantonista viu o exame da paciente e teve um diagnóstico diferente. "Ela fez um laudo constatando que minha mãe não tinha covid e que precisava urgente de uma uti, porque o problema dela era cardiorrespiratório, e apresentava água no pulmão", lembrou Juliana.

Segundo a corretora, no dia seguinte, os médicos ja haviam retirado Maria Izabel do balão de oxigênio e colocado ela novamente na área para Covid, quando a família começou urgetemente procurar formas de transferir Maria para um hospital.

O pedido, segundo Juliana, foi negado pelo Ministério Público e deferido pela Defensoria Pública dias depois. "Quando ameacei procurar a imprensa conseguimos uma vaga para a Santa Casa em 20 minutos", relatou.

Maria Izabel deu entrada na Santa Casa no dia 12 de abril e foi novamente conduzida para área exclusivas de pacientes com Covid. "Eles falaram que esses exames que apontavam negativo não valiam nada, que minha mãe estava com covid, pois também havia boletins medicos que atestavam que minha mãe estava com covid, fizeram novamente exames de RT-PCR, e novamente deu negativo, só então eles mudaram o tratamento dela, quando o quadro já tinha evoluído para uma pneumonia gravíssima, então ela foi intubada e transferida para uma CTI comum”.

A Secretaria Municipal de Saúde, afirmou que o procedimento realizado é o que é orientado pelo Ministério da Saúde. “O fato dela ter permanecido em uma ala de sintomáticos respiratórios, ou seja, pacientes com suspeita de Covid-19 e outras doenças respiratórias, ocorre por ela estar apresentando sintomas. O teste coletado pelo laboratório pode ter dado um falso positivo ou um falso negativo, não sendo possível atestar, uma vez que o mesmo não foi aplicado pela unidade e poderia estar fora do período de soroconversão’.

Ainda de acordo com a Sesau, todo paciente com sintoma respiratório é colocado inicialmente em uma ala exclusiva, independente do diagnóstico. “Essa conduta é feita nas unidades de saúde e nos hospitais, por orientação do Ministério da Saúde.  A paciente recebeu toda a assistência possível na unidade de saúde e foi transferida assim que foi disponibilizada uma vaga no hospital”.

A Sesau ressaltou que na época, todos os hospitais estavam superlotados, não havendo leitos disponíveis.

Agora a família de Maria Izabel que tevês eu quadro agravado também luta para conseguir um medicamento de uso hospitalar. “O próprio médico da Santa Casa pede pra gente comprar o medicamento, que a gente não vai conseguir comprar, já fomos até no Paraguai e não tem esse medicamento que também esta sendo usado contra a Covid. Minha mãe está ponto de morrer por negligencia médica e por estarem pedindo medicamento que o SUS é obrigado a dar para o paciente”, completou Juliana.

A Sesau informou que o medicamento citado não faz parte da relação fornecida pelo município, sendo de uso hospitalar.