Uma propaganda do governo da Austrália sobre vacinação provocou uma enxurrada de críticas devido às fortes imagens de uma jovem sofrendo em decorrência da covid-19. O anúncio mostra a mulher em uma cama de hospital com falta de ar enquanto está conectada a um ventilador.

A seguinte mensagem encerra o vídeo: "A covid-19 pode afetar qualquer pessoa... Agende sua vacinação”. Os críticos dizem que o anúncio, que busca estimular a vacinação, visa a população jovem de maneira injusta, já que os menores de 40 anos só terão acesso às vacinas no final do ano.

Assista ao vídeo: 

O anúncio está sendo exibido apenas em Sydney, que está enfrentando um surto da variante Delta e está em sua terceira semana de lockdown. As autoridades registraram 112 novos casos na segunda-feira (12), elevando o total para mais de 700 casos desde a primeira detecção dessa variante, em meados de junho.

O lançamento do anúncio faz parte de uma campanha maior de vacinação - 'Arm Yourself' (Arme-se) -, que foi lançada no domingo.

Alguns profissionais de saúde pediram que o vídeo fosse retirado do ar, chamando-o de "insensível".

No entanto, o governo defendeu a propaganda. O diretor de saúde da Austrália, Paul Kelly, disse que o objetivo era "ser explícito" para "passar a mensagem" sobre a necessidade de ficar em casa, fazer o teste e agendar a vacinação.

"Estamos fazendo isso apenas por causa da situação em Sydney", disse ele.

No domingo, as autoridades da maior cidade da Austrália registraram a primeira morte neste surto - foi a primeira vítima fatal de covid contraída localmente no país durante todo o ano.

O surto em Sydney gerou críticas generalizadas ao plano de vacinação do governo federal - que começou em fevereiro, mas foi comprometido pela falta de fornecimento de vacina da Pfizer, complacência do governo e mensagens confusas de saúde pública sobre os riscos da vacina da AstraZeneca.

Apenas cerca de 26% da população da Austrália tomou pelo menos a primeira dose da vacina contra a covid-19. E aproximadamente 10% dos australianos estão totalmente vacinados, segundo dados colhidos até 11 de julho.