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Com mandato cassado, Flordelis tenta habeas corpus para evitar prisão
A defesa alega que a ex-parlamentar cumpriu medidas cautelares, como justificativa para a recusa do pedido de prisão
Após pedido de prisão feito pelo assistente da acusação, que defende a família do pastor Anderson do Carmo, os advogados da deputada federal cassada Flordelis (PSD-RJ) entraram com um habeas corpus.
O pedido de prisão foi feito ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) logo após a decisão da Câmara dos Deputados, na quarta-feira (11) à noite, que votou por cassar o mandato parlamentar de Flordelis.
Na justificativa para que o judiciário não aceite o pedido de prisão, os advogados de Flordelis citam que a ex-parlamentar cumpriu todas as medidas cautelares impostas e que falta legitimidade ao assistente da acusação para requerer a prisão da cliente.
A defesa aponta ainda uma suposta falta de requisitos e de contemporaneidade entre o fato e a prisão, para embasar uma eventual detenção da pastora.
“O fato imputado à ré Flordelis ocorreu em 16 de junho de 2019, portanto, há mais de 2 anos. Impende salientar que, nesse interim houve o regular transcurso das investigações policiais, da instrução criminal na primeira fase do processo, tendo ainda tramitado toda a persecução administrativa perante a Câmara dos Deputados. Não estão presentes os pressupostos da prisão", citam os advogados Rodrigo Faucz, Luiz Eduardo Roncaglio, Jader Marques e Janira Rocha.
A defesa entende que a Lei 13.964/2019 trouxe mudanças em relação à prisão preventiva. Segundo a banca jurídica, agora é necessário que a fundamentação traga fatos novos ou contemporâneos que justifiquem a medida adotada.
Além disso, os advogados da pastora citam que a cliente tem mais de 60, portanto, estaria sendo posta em riscos diante da pandemia caso sua prisão seja aceita, uma vez que os idosos fazem parte do público de risco para o novo coronavírus. A defesa também alega que Flordelis sofre de isquemia cerebral e tem recebido atendimento médico e psiquiátrico em decorrência do "estresse decorrente do processo penal". Eles dizem que a pastora teve que ser atendida "em situação de emergência na última segunda-feira".
Os pedidos serão julgados pela segunda Vara Criminal do TJ-RJ. Com a derrota na Câmara, Flordelis perdeu a prerrogativa de foro e agora poderá ser julgada pelo rito tradicional.