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Vítima de homofobia, dentista recebe homenagem e apoio do prefeito e vereadores
O profissional é voluntário em um dos postos de vacinação e abalado com o ocorrido ainda não consegue trabalhar
O cirurgião dentista Gustavo dos Santos Lima, que atua como voluntário em um dos postos de vacinação em Campo Grande, foi recebido pelo prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, na manhã desta quarta-feira (25), no Paço Municipal, após ser vítima de homofobia por uma mãe que recusou a vacina que seria aplicada por ele em sua filha.
“Campo Grande lamenta o ocorrido. Campo Grande discorda do comportamento daquela que proferiu palavras homofóbicas em desfavor do cidadão Gustavo. Campo Grande presta solidariedade a ele e sua mãe. Aqui, todos nascemos para viver e ser feliz. Estamos nos solidarizando e dizendo não a qualquer ato de homofobia na nossa cidade”, declarou o prefeito.
Gustavo contou que ainda está muito abalado e faz tratamento psicológico para voltar ao trabalho. “Tudo o que aconteceu mexeu muito comigo. Eu ainda não consegui trabalhar. Para que eu consiga trabalhar, preciso das minhas mãos, da minha mente. Estou precisando de acompanhamento psicológico”, relatou.
Tânia Mara lembrou que o filho está no primeiro ano de atuação e lamentou o ato que hoje o impede de continuar a vida. “Este é o primeiro ano que meu filho está atuando, que passou em uma residência, está fazendo uma especialização e, de repente, no trabalho dele, alguém vai lá e pisa no meu filho. Machuca. Não tem dor maior do que esta, de uma mãe ver o filho ser destratado em um processo de imunização para que a gente se livre desta pandemia”, lamentou.
O prefeito se colocou à disposição para ajudar a Gustavo e a mãe no que for necessário para superação deste momento difícil.
Câmara
Na terça-feira (24), Gustavo esteve e na sessão da Câmara Municipal e recebeu todo apoio dos vereadores. “As pessoas falam coisas em grupo, comentam e não sabem que naquele meio tem alguém que pode estar sofrendo. O que é mimimi para um, para o outro pode ser dor. Já presenciei situações em que jovens sofreram preconceito e chegaram a pensar em suicídio”, disse o vereador Ronilço Guerreiro
Homofobia é crime
Em junho de 2019, o STF decidiu pela criminalização da homofobia e da transfobia, determinando que a conduta passe a ser punida pela Lei de Racismo (7716/89). A pena pode variar de um a três anos, mais multa, podendo chegar a cinco anos se houver divulgação do ato homofóbico em meios de comunicação, como nas redes sociais.