Geral
Restaurantes e bares querem horário de verão
Entidades do comércio querem recuo de Bolsonaro e volta do horário, em meio a crise hídrica
Em ofício destinado ao presidente Jair Bolsonaro, a União Nacional de Entidade do Comércio e Serviços do Comércio e Serviços (UNECS), pede a retomada do horário de verão como frente para controle da crise hídrica que afetou toda a economia do país.
Em seu pedido, a UNECS ressalta que a crise agravada pela escassez de chuvas coloca em risco o fornecimento de energia elétrica em parte do Brasil. “São muitos os desafios para mitigar o problema e qualquer economia energética se torna agora ainda mais relevante. Nesse sentido, no último mês de junho, entidades ligadas ao comércio, serviços e turismo solicitaram o retorno do horário de verão, pedido que viemos reforçar neste ofício”.
O Governo Federal decidiu por fim ao horário de verão ainda em 2019, na época o porta-voz, o Ministério de Minas e Energia, Otávio Rêgo Barros fez uma pesquisa segundo a qual 53% dos entrevistados pediram o fim do horário de verão, que agora é uma das saídas para a escassez de água, pois aumenta a eficiência e segurança do setor energético.
A solicitação da entidade ressalta que a adoção do horário diferenciado beneficia setores de serviços e turismo, especialmente bares e restaurantes, que conseguem aproveitar a hora extra de luz do sol para incrementar o faturamento, com o aumento da procura por happy hours.
Segundo o documento, que também foi assinado pela Federação das Empresas de Hospedagem, Gastronomia, Entretenimento, Lazer e Similares do estado do Paraná (Feturismo), atualmente quase 40% das empresas do setor de bares e restaurantes está atualmente operando no prejuízo.
Ao JD1 Notícias, o diretor da Feturismo, Fabio Aguayo, argumenta que a necessidade de enviar esse pedido ao presidente vem após monitoramento das questões hídricas e energética. “É importante para o nosso setor, pois vivemos do turismo, com a pandemia nosso setor foi um dos mais prejudicados”, afirmou. “Desde que o presidente extinguiu o horário de verão, estamos apelando pra voltar, pois para o nosso setor ele é estratégico, na questão do faturamento, geração de emprego e movimentação, mas agora nos temos um apelo mais forte que e essa questão do racionamento e aumentos absurdos das tarifas de energia”, ressaltou Fábio.
A proposta também é incentivada por diversos setores como a Abrasel, A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Fábio ainda vê positivamente a aceitação de Jair Bolsonaro para a adoção da medida. “O presidente deu uma entrevista no último mês, dizendo que se a maioria da população quiser, o horário de verão volta”, pois esse é um dos meios necessários para superar a crise hídrica, completou.
De acordo com dados de uma pesquisada realizada pela Abrasel em agosto com 1.272 estabelecimentos de todo o Brasil, o faturamento está voltando aos poucos. O índice de empresas trabalhando no prejuízo caiu para 37% em julho, contra 54% em junho e 77% em abril.
Apesar da melhora, o índice ainda preocupa, pois representa que mais da metade das empresas não consegue ainda cumprir de modo integral os compromissos com impostos, aluguel, água/luz/gás e fornecedores.
"O retorno do horário de verão é mais um gesto na direção de sinalizar para a sociedade a importância de cada um dar sua contribuição na economia de energia, em alinhamento com a campanha que será realizada pelo Governo Federal", finaliza a UNECS e Feturismo no ofício.