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Dia da Favela: Cufa pede reflexão sobre potencial das comunidades
Em Campo Grande, ONG vai lançar websérie apresentando voluntários e atendimentos realizados
Hoje, 4 de novembro, é o Dia da Favela. A data marca a primeira vez o termo que apareceu em um documento público, no ano de 1900, quando o delegado da 10º Circunscrição e chefe da Polícia do Rio de Janeiro, Enéas Galvão, se referiu ao Morro da Providência (considerado como a primeira favela do Brasil) como "favela".
Aquele era o lugar onde moravam os favelados, como eram chamados os soldados que lutaram na Guerra de Canudos, na Bahia, e ficaram marcados pela planta favela, muito comum no sertão nordestino. A associação feita na época foi como um lugar sujo e de gente imoral.
Na Capital sul-mato-grossense, as comemorações do Dia da Favela serão um pouco limitadas, já que na Central Única das Favelas de Mato Grosso do Sul, todos os voluntários têm outra ocupação em horário comercial, o que impossibilita atuar de maneira mais significativa e com programação específica na data.
Em Campo Grande, em alusão ao Dia da Favela, será lançado hoje um vídeo apresentando os voluntários e a maneira como os trabalhos são realizados na Cufa. "Durante a semana a gente vai exibir uma websérie, que vai falar sobre todas as comunidades que a gente atende, e como a gente faz esses atendimentos", explica a coordenadora da Cufa Campo Grande, Letícia Polidorio.
A ONG está planejando, ainda para o mês de novembro, ações culturais voltadas para as comunidades da Capital, além de campanha de arrecadação de material para ajudar às famílias atingidas pelas tempestades do mês de outubro e que ainda enfrentam dificuldades.
CUFA Brasil
A presidente nacional da Central Única das Favelas (Cufa), Kalyne Lima, lembra que, mais do que comemoração, o dia é marcado por reflexão sobre os problemas enfrentados pelos moradores desses territórios e sobre a potência presente neles.
“A favela é um território muito fértil de valores. Valores humanos, valores de solidariedade, de união, e a gente compreende que essa corrente é a nossa principal tecnologia social, é a nossa principal estratégia de luta, de resistência, né? Hoje temos essa celebração, essa pauta, essa reflexão sobre esse território que é tão importante na geração da economia desse país. São mais de R$ 119 bilhões gerados por essa população através do seu trabalho, do seu esforço e da sua dignidade, através de tudo que proporciona para esses territórios e suas famílias” diz ela.
Cufa MS - Solidariedade
Embora nem todo mundo saiba, Campo Grande tem hoje 38 favelas. Na tempestade de 15 de outubro, que foi uma das mais devastadoras, vários barracos das comunidades Lagoa; comunidade Indígena Água Bonita; Mário Covas e Alfavela, entre outras, não aguentaram, deixando várias famílias desabrigadas e até sem alimentos. Por essa razão, a Cufa pede a quem puder, que ajude com doação de materiais de contrução e para reconstrução dos barracos, como lonas, pregos, madeirites, além de roupas, móveis, alimentos e materiais de higiene.
Doações em dinheiro podem ser feitas por meio da chave PIX 366.921.388-09, em nome de Letícia Nunes da Silva.