Nesta quinta-feira (25), em Berlim, cientistas anunciaram a primeira fecundação in vitro bem-sucedida de embriões de um rinoceronte-branco, espécie natural da África, que está ameaçada de extinção.

Existe duas subespécies: o rinoceronte-branco-do-sul e o rinoceronte-branco-do norte. Em 2018, na reserva de Ol Pejeta, no Quênia, morreu o último macho, restando apenas duas fêmeas inférteis.

Para o sucesso da fecundação in vitro, os cientistas colheram óvulos de fêmeas de rinocerontes-brancos-do-norte e usaram o esperma de rinocerontes machos mortos da mesma subespécie.

O embrião, criado em um laboratório de reprodução italiano, foi inserido em uma mãe de aluguel, uma rinoceronte-branco-do-sul. A inseminação foi realizada no Quênia, em setembro de 2023, e resultou em uma gravidez bem-sucedida de 70 dias, com um embrião masculino bem desenvolvido.

"Conseguimos algo que se acreditava impossível", declarou o dirigente do departamento de gestão de reprodução do Instituto Leibniz para Pesquisa de Zoológicos e Vida Selvagem (IZW) e chefe do projeto, Thomas Hildebrandt, em uma coletiva de imprensa em Berlim.

A gravidez foi bem-sucedida, mas a rinoceronte grávida acabou morrendo devido a uma infecção – e, com ela, o feto de 70 dias, já que a gestação completa de rinocerontes dura cerca de 16 meses. "Ainda estava muito longe do nascimento, por isso não pôde ser salvo", disse Susanne Holtze, também reponsável pelo projeto. 

Essa subespécie tem poucos predadores naturais, mas o número de animasi caiu drasticamente por conta da caça pelos seus chifres.

Considerado o mamífero de grande porte mais raro do mundo, o rinoceronte-branco-do-norte tem apenas dois exemplares remanescentes – duas fêmeas estéreis, de 23 e 33 anos, que vivem no Quênia. A expectativa de vida delas é entre 40 e 45 anos, ou seja, o fim da subespécie está muito próximo.

De acordo com Hildbrandt, o processo é um avanço que deve permitir a produção de novos rinocerontes-brancos-do-norte em um prazo de até dois anos e meio. A previsão é que uma nova fase comece em maio ou junho; 30 embriões de rinoceronte-branco-do-norte, estão congelados desde 2019. Porém, ainda pode levar anos até um nascimento bem-sucedido.