O jogo diplomático em torno da grave crise de segurança no Leste Europeu ganhou novos contornos nessa sexta (28), quando Estados Unidos passaram a ironizar o tom menos agressivo adotado pela Rússia.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas estadunidenses, Mike Milley, afirmou que a atual movimentação russa em direção à Ucrânia é a maior em décadas, desde a Guerra Fria. Já o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, disse que embora não acredite que Putin tenha decidido usar as forças de seu país contra a Ucrânia, fica evidente que o político russo tem essa capacidade e meios. 

A tensão vem aumentando dia após dia, e tropas estadunidenses já estariam posicionadas em áreas estratégicas no Leste Europeu, com um contingente de aproximadamente 8.500 soldados já em prontidão. 

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, teria conversado com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em uma tentativa de unir esforços e apoio em favor da Ucrânia, com promessa de resposta em caso de uma ação mais incisiva da Rússia. 

De acordo com a CNN, Biden teria afirmado que a Rússia irá invadir o país vizinho, e que Zelensky deveria preparar Kiev para as consequências de tal ação. 

Com isso, divisões militares dos Estados Unidos foram colocadas em alerta para que sejam implantadas na Europa Oriental, sendo a 82ª divisão Aerotransportada em Fort Bragg; 18º Corpo Aerotransportado em Fort Bragg e Fort Campbell; 101ª Divisão Aerotransportada em Fort Campbell e a 4ª Infantaria em Fort Carson, bem como, todas as tropas dos EUA que estão atualmente baseadas na Europa, de acordo com a CBS News. 

O alerta vem em resposta ao deslocamento de cerca de 100 mil soldados Russos para áreas estratégicas ao norte e ao leste, próximas à fronteira com a Ucrânia, com tropas de artilharia salvaguardadas por veículos blindados e tanques, entre outras instalações. 

Analistas minimizam a possibilidade de invasão 

Para alguns analistas, a hipótese de invasão pode não ser tão correta, pois apontam que a Rússia não teria montado hospitais de campanha móveis nas áreas observadas, e que a presença de equipes médicas poderiam indicar prontidão para atacar. 

No mar

A Rússia estaria, também, realizando exercícios navais em várias partes do mundo, nos oceanos Atlântico e Pacífico, com cerca de 140 navios e embarcações de apoio; 60 aeronaves e 10 mil pessoas envolvidas. 

Seis navios da Marinha Russa com capacidade para transportar tanques de batalha, veículos blindados e soldados, foram avistados no Canal da Mancha e, aparentemnte, em direção ao Mar Mediterrâneo, para exercícios. 

Analistas sugerem que as forças navais podem ser uma tentativa para despistar e minimizar a possibilidade de forças terrestres ucranianas se utilizarem de rotas mais prováveis para ataques e ações em terra. 

Otan

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) solicitou às Forças Armadas portuguesas para que aumentem o estado de alerta para a tensão entre Rússia e Ucrânia.

Com isso, são preparados submarinos, fragatas (navios de guerra), caças F-16, que sãos aptos a operações sob todas as condições meteorológicas, e mesmo aviões de transporte C-295, desenvolvidos para o transporte militar de curto e médio alcance, preparado para missões militares variadas. Assim como o caça F-16, o C-295 também é capaz de operar sob qualquer condição meteorológica.

A Espanha também já avançou para o Mediterrâneo com fragata e navio patrulha, e estuda o envio de caças para áreas estratégicas. 

Dinamarca é outro país que se prepara, com o envio de uma fragata no Mar Báltico e quatro F-16 na Lituânia, para missões de policiamento aéreo de longa distância, função à qual os caças portugueses também se destacam, devido à vasta experiência. 

A Holanda tem previsão de enviar dois caças F-35 em abril, um navio e unidades terrestres em alerta, e a França se manifestou como disponível para enviar tropas.

 

Confira o vídeo* das movimentações das tropas russas:

*The Clue Brasil