O Ministério Público do Trabalho ajuizou uma ação civil pública pedindo o afastamento imediato de Sérgio Camargo da presidência da Fundação Palmares, em virtude da degradação do ambiente de trabalho provocada pelo assédio moral. 

Na mesma ação, o MPT requer que seja estabelecida uma política de combate e prevenção ao assédio moral na instituição, e que um profissional de psicologia social faça o diagnóstico do meio ambiente psicossocialdo trabalho e, ainda, a condenação da Fundação Palmares e de Sérgio Camargo, atual presidente da instituição, por danos morais coletivos, no valor de R$ 200 mil.

Depois de ouvir 16 depoimentos, entre ex-funcionários, servidores públicos concursados, comissionados e empregados terceirizados durante um ano de investigação, o procurador Paulo Neto, que assina a ACP, concluiu que há perseguição político-ideológica, discriminação e tratamento desrespeitoso por parte de Sérgio de Camargo.

A investigação aponta que trabalhadores com posicionamentos políticos considerados como "esquerdistas" pelo presidente são por ele perseguidos, promovendo um "clima de terror psicológico" no ambiente de trabalho. "Os depoimentos são uníssonos, comprovando, de forma cabal, as situações de medo, tensão e estresse vividas pelos funcionários da Fundação diante da conduta reprovável de perseguição por convicção política praticada por seu presidente e do tratamento hostil dispensado por ele aos seus subordinados", explica o procurador.

Ainda de acordo com os depoimentos, Camargo fica "monitorando" as redes sociais dos trabalhadores, fazendo todo tipo de associação ao "esquerdismo", entre elas, o tipo de cabelo. Além disso, o uso frequente de palavrões e tratamento grosseiro com os subordinados também foram confirmados nos relatos.

Segundo o relatório do MPT, mesmo servidores concursados pediram para sair da Fundação, como consequência das ações de Sérgio Camargo e o clima por ele gerado naquela instituição e ainda descreve, de forma detalhada, a maneira como o presidente assediava servidores. 

A investigação teve início em julho de 2020, após o MPT no DF receber uma denúncia relatando que Camargo "estaria praticando perseguição ideológica a trabalhadores" com "opiniões e posições políticas e ideológicas distintas das suas'. Em março, três diretores da Fundação Palmares pediram demissão sob o argumento de que não havia "viabilidade de diálogo" com o presidente da instituição.

Na tarde de hoje (30), Sérgio Camargo esteve bastante ativo no Twitter, fazendo postagens diversas sobre a repercussão do caso, além de ataques a quem costuma chamar de "esquerdistas".