Na zona rural do município de Antônio João, uma área de constante tensão entre indígenas e fazendeiros está atualmente em discussão na Justiça Federal. Os proprietários da Fazenda Barra, que alegam estar sob ameaça de turbação e esbulho, solicitaram à justiça uma liminar para cessar essa suposta ameaça por parte dos indígenas.

Entretanto, mesmo diante dos argumentos apresentados pelos fazendeiros, a 1ª Vara Federal de Ponta Porã negou a concessão da liminar devido à ausência de provas suficientes da ameaça.

Segundo os relatos apresentados pelos fazendeiros, houve uma quase consumação do esbulho cometido por indígenas que se deslocaram da Fazenda Fronteira e se aproximaram da sede da Fazenda Barra. 

Nesse contexto, agentes policiais dispararam tiros como medida de persuasão, mas os indígenas responderam com tiros. Armas brancas, armas de fogo e capuzes foram apreendidos durante o confronto, relata a peça protocolada na Justiça.

Conforme consta no documento, as apreensões incluíram armas brancas e de fogo em uma área da Fazenda Barra, durante a tensão no qual os indígenas atiraram contra os policiais. Há relatos de que até crianças estavam envolvidas na situação, usando capuzes na sede da Fazenda Fronteira.

A advogada dos proprietários alegou à Justiça que indígenas entraram na Fazenda Barra durante a noite, vestindo capuzes, e trocaram tiros com a polícia. Com base nesses eventos, a defesa dos fazendeiros solicitou ao Juiz Federal Ricardo Duarte Ferreira Figueira a reconsideração da decisão para que fosse concedida a liminar, com o objetivo de evitar a invasão da fazenda.

No entanto, o juiz manteve sua decisão de negar a liminar, afirmando que os argumentos apresentados já haviam sido exaustivamente avaliados na decisão inicial, conforme o documento datado na quarta-feira (25/10). 

Tensão na Região

Uma fonte da segurança pública em Mato Grosso do Sul, confirmou a tensão na área. No entanto, destacou que equipes da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul estão sempre presentes na região, e que casos envolvendo as partes com indígenas são geralmente de responsabilidade da Polícia Federal.

Funai

A reportagem buscou o posicionamento da Fundação Nacional do Índio (Funai) para comentar a decisão, mas até o momento da publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.

Campo de guerra 

Em 2015, o município foi alvo de tensão, isso por que fazendeiros armados expulsaram os ocupantes de duas fazendas (Fronteira e Barra), após conflitos violentos, segundo relatos de indígenas e do então deputado federal Henrique Mandetta (DEM-MS), que presenciou a ação. Na ocasião, o índio Semião Fernandes Vilhalva foi encontrado morto, baleado, em um córrego dentro da fazenda Fronteira, uma das em que houve conflito.

De acordo com o portal BBCNews Brasil, Mandetta, que presenciou o conflito na fazenda Barra, afirmou, à época, que os índios não haviam causado danos à propriedade. Ele contou que estava em uma reunião com os produtores rurais, junto com o senador Waldemir Moka (PMDB) e a deputada Tereza Cristina (PSB), para discutir a situação quando Ruiz fez um relato emocionado e convocou todos a irem até a fazenda. De acordo com o deputado, as pessoas saíram em cerca de 60 caminhonetes, portando várias armas. Disse também ter visto um índio com uma espécie de espingarda.