Acusação
'Tinha racha': promotora pede condenação por mortes na Cônsul Assaf
Daniele Borghetti Zampieri de Oliveira sustentou que os dois assumiram o risco de causar a morte de alguém durante a disputa
A promotora de Justiça Daniele Borghetti Zampieri de Oliveira pediu a condenação de Maicon Oliveira Bezerra, de 35 anos, e Thauan Gonçalves de Assis, de 28, durante os debates do julgamento nesta quarta-feira (7), no Tribunal do Júri de Campo Grande. O pedido veio logo após os dois réus permanecerem em silêncio diante do juiz, seguindo orientação dos advogados de defesa.
“Queriam competir”, afirmou Daniele ao falar sobre a atitude dos réus. Para ela, os dois “assumiram o risco de causar a morte de alguém” ao disputarem um racha em alta velocidade.
“Não se importaram em matar alguém disputando um racha a 110 a 115 km por hora”, declarou. A promotora também destacou que os dois aceitaram igualmente o risco do resultado morte.
“Os dois aceitaram o risco igualmente”, afirmou. Ela ainda mencionou a velocidade e a fuga após a colisão: “Velocidade de 100 km por hora os dois. Os dois fugiram do local”.
Daniele sustentou que havia conduta de racha, embora os réus não admitam a disputa. Também enfatizou o excesso de velocidade como causa determinante.
“Intensidade desse caso foi enorme”, disse, ao destacar a violência do impacto entre o carro de um dos envolvidos e a motocicleta das vítimas. Anador Lopes e o filho, Joel dos Santos Lopes, estavam em velocidade compatível com a via, conforme sustentou a promotora.
Durante os debates, ela afirmou ainda que o caso não se trata de acidente com culpa das vítimas nem de homicídio culposo, mas de uma acusação que envolve dolo eventual, quando alguém aceita o risco de causar danos mesmo sem querer.
Maicon e Thauan são julgados pela acusação de terem causado a morte de Anador e Joel durante o que a acusação chama de “racha”.
O acidente ocorreu em 6 de agosto de 2021, por volta das 17h40, na avenida Cônsul Assaf Trad, na região Norte da Capital. Chamados a prestar depoimento pelo juiz, os dois informaram apenas que permaneceriam em silêncio, direito que lhes assiste.
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