Por Bosco Martins | A morte de Alcides Bernal encerra uma das trajetórias mais controversas da política de Campo Grande. Primeiro e único prefeito cassado da Capital, ele também foi eleito legitimamente em 2012, com cerca de 62% dos votos, rompendo mais de duas décadas de hegemonia política. A vitória de um outsider expressou o desejo de mudança de uma parcela significativa do eleitorado.

Bernal, no entanto, venceu nas urnas, mas não conseguiu transformar o apoio popular em governabilidade. Sua personalidade forte, a dificuldade de dialogar e a resistência em construir alianças ampliaram o isolamento político. Em uma cidade onde a elite jamais assimilou plenamente sua ascensão, administrar exigia negociação permanente. Essa habilidade lhe faltou.

Seu governo foi marcado por crises sucessivas. A cassação do mandato, seguida do retorno por decisões judiciais, manteve a administração sob tensão constante e aprofundou a instabilidade institucional. Em 2015, a Operação Coffee Break, conduzida pelo GAECO em conjunto com o MPMS, revelou a existência de um conluio político-empresarial, com promessas de vantagens indevidas e cargos para viabilizar a cassação do prefeito em março de 2014.

Nos últimos anos, Bernal voltou ao noticiário em razão da acusação de envolvimento na morte do auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini, ocorrida durante uma disputa pela posse de um imóvel que pertencera ao ex-prefeito e havia sido arrematado em leilão judicial. 

A história de Bernal deixa uma lição conhecida da política: conquistar o poder é apenas o primeiro passo. Governar exige diálogo, escuta e disposição para construir consensos. Quando isso não acontece, o isolamento político acaba se tornando também isolamento pessoal.

Sua trajetória permanecerá marcada  pelas rupturas que promoveu, pelos confrontos que enfrentou e pelos erros que cometeu. A principal reflexão talvez seja esta: o voto leva ao poder, mas somente a conciliação sustenta uma liderança.

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