OPERAÇÃO
PF deflagra operação contra tráfico de drogas em empresas de turismo em MS
Ação desmantela organização criminosa voltada ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro
Foi deflagrada nesta quinta-feira (21), a Operação Viagem Santa, que visa desarticular uma organização criminosa voltada ao tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro. A ação realizada pela Polícia Federal com o apoio da Receita Federal. A empresa de turismo religioso com sede em Dourados, que fica a 228 km de Campo Grande, é alvo da operação.
Ao total são cumpridos 10 mandados de prisão temporária (30 dias) e 14 mandados de busca e apreensão nas cidades de Dourados e Deodápolis, além do sequestro e bloqueio de mais de R$ 10 milhões em bens móveis, imóveis da organização criminosa e de valores depositados em contas bancárias dos investigados, além de 12 ônibus avaliados em mais de R$ 11 milhões de reais. Ao todo foram cumpridas 44 ordens judiciais. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal da Cidade de Durados.
De acordo com informações, as investigações tiveram início em 2019 após a Polícia Federal com o apoio da Polícia Rodoviária Federal apreender em um ônibus de turismo mais de meia tonelada de cocaína transportada em um compartimento oculto.
“Ao longo das investigações logrou-se êxito em documentar outras duas apreensões com quase 400 quilos de maconha, também em veículos de transporte de passageiros, todos com destino a cidade de São Paulo/SP. Todas as empresas envolvidas nas apreensões são sediadas na cidade de Dourados. Nas oportunidades em que ocorreram as apreensões apenas os motoristas de tais veículos foram responsabilizados pelo transporte da droga”, detalhou a PF.

“A organização criminosa montou uma rede de empresas de fachada, para lavar o dinheiro oriundo do tráfico de drogas, além de empresas de transporte de passageiros, cujos veículos eram utilizados para transportar a droga”, acrescentou.
Os federais apontam três núcleos na organização criminosa, um responsável pela logística de carregamento e transporte da droga, outro pelo agenciamento das viagens e pelo recrutamento dos passageiros, por fim o encarregado pela lavagem de dinheiro.
“Segundo a estória criada pelo núcleo de organização criminosa (ORCRIM) responsável pelo agenciamento das viagens e pelo recrutamento dos passageiros um pagador de promessas estava financiado a viagem para a cidade de Aparecida/SP e como tal todas as despesas de transporte, alimentação e hospedagem seriam custeadas por esse. Na verdade, todos os custos da viagem eram bancados com o lucro da venda da droga que era transportada nos ônibus da ORCRIM”, pontua.
Foi essa versão falsa dos fatos, contada pelos investigados a fim de justificar a gratuidade da viagem, que motivou o nome da operação.
“Em razão da situação de pandemia da COVID-19, foi planejada uma logística especial de prevenção ao contágio, com distribuição de EPIs a todos os envolvidos na missão, a fim de preservar a saúde dos policiais, testemunhas, investigados e seus familiares”, detalha a Superintendência Regional do Mato Grosso do Sul da Polícia Federal.
A Operação envolve aproximadamente 86 policiais federais e servidores da Receita Federal.