O técnico de enfermagem do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), investigado por suspeita de estupro contra uma paciente internada na unidade, deixou a prisão temporária após permanecer 10 dias detido. Segundo a defesa, a soltura ocorreu após o avanço das investigações e depois que o profissional prestou esclarecimentos à Polícia Civil.

O advogado responsável pela defesa, Matheus Morandi, afirmou que a prisão havia sido decretada inicialmente para preservar a investigação, mas que, com o andamento das diligências, a manutenção da medida deixou de ser necessária.

Segundo ele, a defesa entrou com um pedido de relaxamento da prisão e, posteriormente, a própria delegada responsável pelo caso também solicitou a liberação do investigado após o depoimento prestado.

“A prisão teve o único objetivo de preservar as investigações. Com o andamento natural do processo, pela ausência de indícios de provas de autoria e materialidade pelo cometimento do delito e também por boa parte da investigação já ter sido concluída, foi ingressado um relaxamento de prisão temporária”, afirmou o advogado.

A defesa sustenta que o técnico de enfermagem negou a acusação desde o primeiro contato e afirma acreditar que a inocência dele será comprovada ao longo do procedimento. “Ele fala da sua inocência desde o início. Pelo horário narrado, ele não estava no box da UTI e também no setor da UTI nenhum profissional da saúde fica sozinho, sempre existe uma equipe”, declarou o defensor.

Ainda conforme o advogado, a defesa não vai divulgar detalhes sobre provas ou elementos do inquérito neste momento, em respeito ao sigilo da investigação e à preservação da vítima.  “Tem que respeitar o sigilo decretado pela Justiça para preservar não só o investigado, mas também a investigação e a figura da vítima no processo”, afirmou.

Advogado durante coletiva com imprensa nesta sexta-feira Foto: Vinicius Costa

O advogado também comentou sobre a relação entre o técnico de enfermagem e familiares da paciente. Segundo ele, o profissional conhecia uma tia da vítima apenas por contato relacionado a atividades políticas e sindicais, mas não teria proximidade com a família.

Sobre a dinâmica do caso, a defesa afirmou que ainda é cedo para apontar conclusões, mas mencionou que pretende apresentar sua versão após a conclusão das investigações.

“É muito cedo ainda para chegar a uma conclusão do que realmente aconteceu. As provas estão sendo produzidas no inquérito policial”, disse.

A investigação continua sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). O Hospital Regional informou anteriormente que afastou o profissional das atividades assistenciais após tomar conhecimento da denúncia e instaurou sindicância interna para apurar os fatos, garantindo o direito ao contraditório e à ampla defesa.