Polícia
Polícia conclui que morte de Lívia foi homicídio e revela como o crime foi planejado
Adolescentes e um adulto 'orquestravam' as ordens através das plataformas digitais
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul concluiu que a morte da adolescente Lívia, moradora de Naviraí, não foi um suicídio, mas um homicídio qualificado praticado por integrantes de uma organização criminosa que atua no ambiente virtual, principalmente nas plataformas como o Discord.
A informação foi compartilhada pela delegada Anne Karine Trevizan, titular da DEPCA (Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente), durante a coletiva nesta quinta-feira, dia 6. Segundo a delegada, a investigação teve início após a polícia tomar conhecimento da morte da adolescente, em 22 de julho.
Logo depois, o CyberLab informou que o caso estava sendo compartilhado nas redes sociais, o que levou a equipe a preservar dados e aprofundar as apurações. "Durante a investigação, a gente verificou que não foi um suicídio, mas foi realmente um homicídio", afirmou Anne Karine.
As investigações identificaram cinco adolescentes e um adulto suspeitos de participação no crime. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em diferentes estados do país, além de ordens de prisão preventiva e de internação dos adolescentes. Conforme a delegada, o material apreendido confirmou a ligação dos investigados com a morte de Lívia e revelou o grau de violência praticado pelo grupo.
De acordo com a delegada, a adolescente foi alvo de um processo contínuo de manipulação psicológica até ser levada à morte. A investigação aponta que ela foi aliciada meses antes e passou a receber ordens e ameaças dentro de grupos virtuais. "Eles programaram tudo. Eles foram programando cada passo que ela tinha que fazer", declarou. Ainda segundo a delegada, um adolescente apreendido na Baixada Fluminense foi quem determinou todas as instruções que a vítima deveria seguir.
A titular da DEPCA afirmou que a pressão exercida pelos investigados aumentava gradativamente e incluía ameaças contra a adolescente e seus familiares. Antes da morte, segundo a polícia, Lívia teve dados pessoais expostos pelos integrantes do grupo, prática conhecida como "doxxing", o que intensificou o medo e o isolamento da vítima. "Ela acabou tirando a vida diante de toda essa pressão", disse a delegada ao explicar a dinâmica identificada durante a investigação.
A investigação também revelou que os integrantes promoviam eventos em plataformas digitais para acompanhar e incentivar atos de violência. Conforme Anne Karine, na mesma noite em que ocorreu a morte de Lívia também houve um episódio de automutilação em outro estado, ambos acompanhados por integrantes da organização. A delegada afirmou que os envolvidos tratavam essas ações como "eventos" e incentivavam as vítimas durante as transmissões.
Os seis investigados vão responder por organização criminosa e homicídio qualificado, além da apuração de eventual crime de maus-tratos contra animais. Para Anne Karine, as provas reunidas demonstram que a morte de Lívia foi resultado de um plano estruturado. "Todo mundo que foi apreendido nessa operação tinha ligação com o caso da Lívia", afirmou a delegada.