Polícia
Morte de Lívia leva a nova operação e seis adolescentes são apreendidos
Adolescente de 13 anos morreu em julho, em Naviraí, após ser vítima de grupo investigado por violência psicológica em ambiente virtual
Seis adolescentes foram apreendidos em cinco estados nesta terça-feira (15), durante a segunda fase da Operação Lívia, coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. A investigação apura a atuação de grupos virtuais suspeitos de induzir crianças e adolescentes à automutilação, violência contra animais e, em casos extremos, ao suicídio.
As apreensões ocorreram na Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Também foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão domiciliar. A ação é conduzida pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), com apoio das polícias civis dos demais estados e do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado à Secretaria Nacional de Segurança Pública.
Segundo a Polícia Civil, a nova etapa busca identificar outros integrantes e entender a estrutura dos grupos, que teriam pessoas responsáveis por recrutar vítimas, administrar e moderar comunidades virtuais e pressionar adolescentes a cumprir determinadas ações.
A segunda fase é resultado da análise de celulares, computadores e outros materiais recolhidos durante a primeira operação, realizada em 4 de agosto. O material permitiu identificar novos suspeitos e reunir elementos para os mandados cumpridos nesta terça.
Caso Lívia
A investigação começou após a morte de Lívia, de 13 anos, em Naviraí. A adolescente morreu em 22 de julho após transmitir ao vivo, por cerca de 45 minutos, o próprio suicídio em um grupo na plataforma Discord.
Conforme revelado durante a primeira fase da investigação, Lívia teria sido submetida a coerção psicológica por integrantes do grupo virtual. Antes da morte, ela teria sido pressionada a torturar e matar um gato, mas não conseguiu. Os investigadores também descobriram que integrantes da comunidade criaram uma chave Pix em nome da menina, sem o conhecimento da mãe, e enviavam dinheiro para que ela comprasse lâminas e praticasse automutilação.
Na primeira fase, oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. Cinco adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, e um jovem de 18 anos estavam entre os investigados. Um adolescente de 14 anos, apreendido no Rio de Janeiro, foi apontado como suspeito de comandar o grupo.
A apuração também identificou outra vítima em outro estado e, segundo as autoridades, conseguiu impedir uma nova tentativa de suicídio que teria transmissão previamente marcada.
Agora, a Polícia Civil afirma que as investigações apontam o uso de chantagem, manipulação e coerção psicológica para controlar adolescentes em situação de vulnerabilidade. Além de responsabilizar os envolvidos, a operação busca localizar outras possíveis vítimas e interromper situações de risco.
O nome da Operação Lívia é uma homenagem à adolescente de 13 anos cuja morte deu início às investigações.