Seis adolescentes foram apreendidos em cinco estados nesta terça-feira (15), durante a segunda fase da Operação Lívia, coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. A investigação apura a atuação de grupos virtuais suspeitos de induzir crianças e adolescentes à automutilação, violência contra animais e, em casos extremos, ao suicídio.

As apreensões ocorreram na Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Também foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão domiciliar. A ação é conduzida pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), com apoio das polícias civis dos demais estados e do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado à Secretaria Nacional de Segurança Pública.

Segundo a Polícia Civil, a nova etapa busca identificar outros integrantes e entender a estrutura dos grupos, que teriam pessoas responsáveis por recrutar vítimas, administrar e moderar comunidades virtuais e pressionar adolescentes a cumprir determinadas ações.

A segunda fase é resultado da análise de celulares, computadores e outros materiais recolhidos durante a primeira operação, realizada em 4 de agosto. O material permitiu identificar novos suspeitos e reunir elementos para os mandados cumpridos nesta terça.

Caso Lívia

A investigação começou após a morte de Lívia, de 13 anos, em Naviraí. A adolescente morreu em 22 de julho após transmitir ao vivo, por cerca de 45 minutos, o próprio suicídio em um grupo na plataforma Discord.

Conforme revelado durante a primeira fase da investigação, Lívia teria sido submetida a coerção psicológica por integrantes do grupo virtual. Antes da morte, ela teria sido pressionada a torturar e matar um gato, mas não conseguiu. Os investigadores também descobriram que integrantes da comunidade criaram uma chave Pix em nome da menina, sem o conhecimento da mãe, e enviavam dinheiro para que ela comprasse lâminas e praticasse automutilação.

Na primeira fase, oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. Cinco adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, e um jovem de 18 anos estavam entre os investigados. Um adolescente de 14 anos, apreendido no Rio de Janeiro, foi apontado como suspeito de comandar o grupo.

A apuração também identificou outra vítima em outro estado e, segundo as autoridades, conseguiu impedir uma nova tentativa de suicídio que teria transmissão previamente marcada.

Agora, a Polícia Civil afirma que as investigações apontam o uso de chantagem, manipulação e coerção psicológica para controlar adolescentes em situação de vulnerabilidade. Além de responsabilizar os envolvidos, a operação busca localizar outras possíveis vítimas e interromper situações de risco.

O nome da Operação Lívia é uma homenagem à adolescente de 13 anos cuja morte deu início às investigações.