O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), denunciou Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, policiais civis, um policial penal e outras pessoas por suspeita de integrar uma organização criminosa voltada ao desvio de drogas apreendidas em operações policiais. Segundo a denúncia, o esquema teria funcionado entre 2021 e setembro de 2026, principalmente em Campo Grande, com agentes públicos supostamente envolvidos na apreensão, retirada e entrega de entorpecentes a traficantes.

A investigação deu origem à Operação Infiltrados, deflagrada em 24 de setembro de 2026. Na ocasião, foram cumpridas ordens judiciais de prisão e busca e apreensão, com recolhimento de celulares e outros materiais que, conforme o MPMS, reforçaram as suspeitas. A medida cautelar que antecedeu a operação autorizou 24 prisões preventivas, duas temporárias e 38 mandados de busca e apreensão.

O principal nome da denúncia é o delegado Hoffman D’Ávila, apontado pelos promotores como responsável por comandar e dar respaldo institucional ao suposto esquema. O documento sustenta que policiais teriam aproveitado informações sobre cargas de drogas e diligências oficiais para desviar parte dos entorpecentes. Em um dos episódios descritos, relacionado a uma apreensão em Bela Vista, em maio de 2024, o MPMS aponta o desvio de drogas e cita conversas e movimentações financeiras como elementos da investigação. Em outra frente, a denúncia descreve uma apreensão formal de 643 quilos de cocaína e investiga possíveis irregularidades na destinação da carga.

O Ministério Público também aponta suspeitas de corrupção de agentes públicos, vazamento de informações sigilosas e ocultação de recursos supostamente obtidos com o tráfico. A denúncia cita transferências bancárias, mensagens e dados extraídos de celulares, além de uma suposta incompatibilidade entre os rendimentos declarados e a evolução patrimonial de alguns investigados. No caso do delegado, os promotores também atribuem a ele suspeitas de peculato-desvio, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.

Ao todo, a denúncia apresentada à Justiça relaciona 23 acusados: Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, Ana Carolina da Silva dos Santos, Augusto Torres Galvão Florindo, Carlos Alberto Alves Fonseca, Douglas Tobias, Eberthe Batista de Almeida, Francisco Cristiano Ribeiro Soares, Jéssica da Silva dos Santos, Kayon Lucas Leodoro da Silva, Lavínia Carvalho da Luz, Lucas da Silva dos Santos, Luiz Carlos de Souza, Marcos André Santos Chaves, Matheus Gabriel Machado Bezerra, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos, Paulo Sérgio Alves Duarte, Rayane Luiz Vieira, Roberto Palmeira da Silva, Valdenice da Silva Gois, Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos e Wesley Benite Matos Pereira Duarte.

As acusações variam conforme a participação atribuída a cada pessoa. Entre os crimes descritos estão integrar organização criminosa, tráfico de drogas, peculato-desvio, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais, violação de sigilo funcional e obstrução da Justiça. Carlos Alberto Alves Fonseca e Paulo Sérgio Alves Duarte também foram denunciados por associação para o tráfico. Dois policiais militares, Alison Lemes Bezerra e Thiago Bezerra Laurentino, são apontados como integrantes do grupo e terão a responsabilização criminal analisada em procedimento separado perante a Justiça Militar.

O GAECO pediu que a denúncia seja recebida e processada, além da perda de valores e bens supostamente relacionados aos crimes, da perda dos cargos públicos de agentes denunciados e da fixação de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.