Operação Infiltrados
Gaeco diz que policiais monitoravam depósitos e carregamentos para desviar drogas
Denúncia aponta monitoramento de imóveis e veículos, além de supostos pagamentos a policiais envolvidos nas operações de desvio
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) aponta que policiais monitoravam depósitos e carregamentos de drogas em conluio com criminosos para desviar entorpecentes destinados ao tráfico.
As informações constam em denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) à Justiça, no âmbito da Operação Infiltrados, deflagrada em 24 de setembro contra policiais suspeitos de desviar drogas.
Segundo as investigações, o esquema envolveria agentes da segurança pública e o traficante Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”.
Conforme a apuração, o grupo realizava o monitoramento velado de depósitos de drogas, imóveis e veículos ligados aos irmãos Carlos Alberto Alves Fonseca e Paulo Sérgio Alves Duarte, apontados como traficantes.
O objetivo, de acordo com a denúncia, seria subtrair e desviar os entorpecentes para posterior reintrodução e comercialização no mercado ilícito. A dinâmica descrita previa que apenas uma parte da droga fosse apresentada oficialmente em boletim de ocorrência, enquanto o restante seria desviado para revenda. A estratégia é resumida na expressão citada na investigação: “metade apreende e metade pega pra nós”.
A denúncia também aponta que cada policial envolvido poderia receber entre R$ 50 mil e R$ 60 mil pelas operações de desvio.
Informações privilegiadas e monitoramento
Ainda segundo as investigações do Gaeco, “LK” comprava uma pequena quantidade de drogas diretamente dos fornecedores para obter informações sobre horários, rotas e locais de armazenamento dos entorpecentes. Os dados seriam repassados aos policiais envolvidos no esquema.
A apuração também aponta o uso indevido de logins e senhas funcionais para consultas nos sistemas SIGO e Córtex, do Ministério da Justiça. As pesquisas incluíam informações sobre veículos e dados dos alvos e de seus familiares.
Rastreadores e drones
Conforme a denúncia, dispositivos de rastreamento por GPS, chamados de “carrapatos” ou “ratos” pelo grupo, eram instalados nos veículos dos traficantes monitorados. Um dos dispositivos teria sido identificado no sistema com o nome “Nilton Derf”.
A investigação também descreve o uso de drones da marca DJI para monitorar imóveis e captar imagens de locais utilizados como entrepostos de drogas. Um dos episódios citados ocorreu em um endereço no bairro Portal Caiobá, em Campo Grande.
Entre os agentes públicos mencionados na investigação estão Nilton Cesar Sales dos Santos, policial civil; Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos, policial penal; Alison Lemes Bezerra, conhecido como “Daga” ou “Daguinha”, policial militar; e Thiago Bezerra Laurentino, chamado de “Grande” ou “Grandão”, também policial militar. A denúncia menciona ainda outros agentes públicos que não teriam sido identificados.
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