Política
General da reserva não será presidente da Funai, diz ministro
Militar apoia a ditadura de 64
O general da reserva Sebastião Roberto Peternelli Júnior não assumirá a Fundação Nacional do Índio (Funai), é o que afirmou, nesta quarta-feira (6), o ministro da Justiça Alexandre Moraes. Sebastião apóia o golpe militar de 1964.
Alexandre Moraes disse que procura um outro perfil para o cargo, ele quer alguém com um histórico de diálogo com os povos indígenas do Brasil. O militar havia sido indicado pelo Partido Social Cristão (PSC).
"Não há nenhum óbice ou veto pessoal ao nome que foi indicado pelo PSC, mas não será ele [general] o presidente da Funai, porque estamos em negociação com outro tipo de perfil", disse o ministro.
O general foi definido como presidente da Funai pelo Palácio do Planalto. O nome chegou a ser enviado e parcialmente aprovado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que averigua os nomes indicados a cargos no Governo Federal.
O Ministério da Justiça se opôs a decisão por conta da repercussão negativa que a indicação causou por conta do apoio ao golpe de 64. Ainda existe uma parte no governo que defende a nomeação do general.
Moraes fez sua declaração após reunião com líderes indígenas, que fizeram protestos em frente ao Palácio do Planalto nesta quarta-feira.
O cacique Aruã Pataxó disse que a Funai precisa de alguém que tenha diálogo com a comunidade indígena no país e não um militar.
A Comissão Nacional da Verdade aponta que pelo menos 8 mil índios foram mortos durante a ditadura militar no Brasil.