Política
Governo estuda nomear militar para assumir Funai
Nomeação desagrada índios, mas é elogiada por ruralistas
O governo do presidente em exercício Michel Temer cogita indicar o general reformado Roberto Sebastião Peternelli, do PSC, para a presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai). A indicação causou indignação entre os indígenas e organizações humanitárias.
Paralelamente, porém, a indicação foi elogiada por amplos segmentos ruralistas nas redes sociais, que veem o nome como capaz de colocar "ordem" no campo, já que a Funai atua hoje mais como incentivadora de conflitos que propriamente como parte na conciliação entre fazendeiros e índios.
O assunto motivou uma reunião nesta quinta no Planalto, com a presença do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, Eliseu Padilha da Casa Civil e Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, e lideranças indígenas.
Segundo o site G1, em troca do apoio do PSC no Congresso Nacional, o governo havia acertado que caberia ao partido indicar um nome para a presidência do órgão, e Peternelli Júnior foi sugerido. A informação de que o general estava indicado para o órgão, vinculado ao Ministério da Justiça, foi divulgada na edição desta quarta do jornal “Folha de S.Paulo”.
Ainda de acordo com o G1, a possível nomeação provocou polêmica nas redes sociais devido a uma publicação de Peternelli Júnior no Facebook em alusão a 31 de março, data do golpe militar de 1964, com a seguinte teor: “Salve 31 de março! 52 anos que o Brasil foi livre do maldito comunismo!!! Viva os nossos bravos militares! O Brasil nunca vai ser comunista”. Contudo, em outras publicações de 2014, ele chegou a dizer que não via motivos para intervenção militar no país porque o Brasil tem instituições que funcionam “normalmente”.