Política
"Coffee Break" - Marcos Alex admite: "Dados coletados não indicam quem é o homem da mala"
Com as “Lendas urbanas” e discussões criadas em volta da operação Coffee Break, que ainda está em fase de análise da denúncia por parte do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o procurador Geral de Justiça, Paulo Cezar dos Passos, acompanhado do promotor Marcos Alex Vera, resolveram “contra-atacar” e também falaram com a imprensa após uma coletiva dos advogados de defesa de alguns dos denunciados, que teve ampla repercussão no meio jurídico. Passos assumiu há pouco a Procuradoria Geral de Justiça (abril deste ano) e Marcos Alex, apesar de não ser mais o coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), ainda fala pela operação, que na época foi comandada por ele.
Ambos receberam a reportagem do JD1 Notícias no gabinete do Procurador Geral para uma conversa que durou cerca de uma hora, mas acabou centralizada no ex-diretor do Gaeco. A entrevista abordou pontos polêmicos e também desmistificou algumas lendas como se há ou não casos de pedofilia descobertos pela operação ou como fica “o outro lado”. Além disso, uma das grandes dúvidas sanadas é quem seria o emissário, ou o “homem da mala” que estaria levando dinheiro e oferecendo aos vereadores para que votassem a favor da cassação de Alcides Bernal em março de 2014.
Isso por que essa é a principal acusação da Coffee Break, de que vereadores teriam sido comprados para votar pela cassação do chefe do Executivo, o que de fato ocorreu em sessão histórica na Câmara Municipal. Atacado pela defesa, que afirmou que foram “seletivos” quanto aos apontamentos sobre o caso, o MPE afirmou que há sustentação para a investigação.
Ao ser questionado sobre isso, Marcos Alex negou, mas uma das questões apontadas pelos advogados seria a acusação do vereador cassado Paulo Pedra, de que alguém em nome de empresários o teria procurado para oferecer essa quantia e ele não sabia sequer o nome ou quem era. O fato foi apontado como muito "simplista" , pois acontece num depoimento que serve de base para uma denúncia.
“Lembrando que naquele momento da coleta de depoimentos aguardava-se uma serie de outras diligências, os dados que foram coletados”, justificou Marcos Alex Vera.
Nesse momento a reportagem questiona claramente se conseguiu identificar o comprador de votos: "Chegou-se a essa pessoa"?
“Não. Os dados todos que foram coletados não teriam indicado quem seria o homem da mala”, respondeu o promotor sobre a identificação do emissário responsável por supostamente comprar os vereadores.
O promotor porém justificou-se ao afirmar que mesmo assim é possível manter a acusação. “O que se chega claramente é que havia emissários de empresários do ramo de informática e de construção civil, que estavam fazendo tratativas diretas através de um emissário que seria o Portela, Gilmar Olarte, agentes políticos que eram encarregados do julgamento político, e em vários trechos você vai encontrar no depoimento do Airton Araújo, do Cabo Almi, quando eu pergunto: “Olha, quando ele te disse que caso houvesse possibilidade de mudança do seu voto, que ele te levaria para conversar com duas pessoas, e isso Amorim e Baird conversando por telefone e a Federal ouvindo, daí eu pergunto o que ele entendeu e ele responde que entendeu que eles iriam oferecer valores e vantagens, isso está claro ali, então veja, o contexto, a prova, ela está encadeada de forma lógica, técnica, e nós estamos muito tranquilo com o relação ao judiciário que é independente para analisar, e no final das contas é quem vai julgar”, afirmou ele sobre os depoimentos do deputado estadual Cabo Almi e do vereador Ayrton Araújo, ambos do PT.
O JD1 Notícias posta no próximo domingo o áudio completo da entrevista.? Algumas partes das respostas citadas acima, estão com trechos embaralhados, pois a editoria optou por transcrevê-las exatamente como foram ditas na entrevista.