A troca de “acusações” entre a defesa dos denunciados na operação Coffee Break e o MPE (Ministério Público Estadual) vai além da “seletividade” apontada pela defesa ou da “pessoalidade” que é a reclamação do promotor Marcos Alex Vera. Envolve também vazamento de informações e exposição e conversas e fotos “mais à vontade” de vereadores e até mesmo quem, em tese, não tem nada a ver com tudo que está acontecendo. 

Para o fato da divulgação de imagens e conversas, o promotor Marcos Alex Vera “passa a bola” para o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, apontando que o MPE não tem como saber como o processo foi digitalizado. 

“Na verdade, é o seguinte, durante a investigação, esse auto nem vai ao principal, ele fica anexo num auto sigiloso. Eu não sei como isso foi digitalizado, os autos foram físicos, ou seja, no papel, nós temos seis ou sete volumes dos autos principais, e três ou quatro volumes de autos sigilosos, de análise de celular, quebra de sigilo bancário, alguns apensos. Isso foi no papel para lá, eu não estou acompanhando a ação porque agora eu estou exercendo outro papel aqui”, defende-se. Ele era coordenador do Gaeco (Grupo de atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) quando a operação foi realizada. 

Questionado sobre a divulgação da foto de um vereador sem camisa em frente ao espelho ou da conversa de whatsapp entre uma mãe e um parlamentar, solicitando uma vaga na creche ou dados bancários e fiscais, por exemplo, o problema para o promotor, “pode” ter acontecido no sistema do judiciário. “Eu presumo o que deve ter acontecido, que quando a empresa digitalizou, ela não manteve a classificação dos documentos. Pode ir lá que você vai ver isso, se está no relatório está com um carimbo de reservado. Esse tipo de documento pela lei de acesso a informação, ele é classificado e pode-se ser alterado, isso é uma presunção, pode ter acontecido, até para contrapor”, explica. 

Para ele, o erro foi que na hora de digitalizar mantiveram tudo como se fosse um padrão público. “Não mantiveram peças que só eram acessíveis as partes e seus advogados. Quando você joga no sistema você classifica como público ou privado. O administrador do sistema SAJ pode mudar, é uma chavezinha. Eu presumo que possa ter acontecido um erro de digitalização. Mas se olhar o relatório ele está todo classificado de reservado”, defende afirmando que a questão da exposição é refutada com uma explicação técnica, isentando o MPE.(*SAJ é a sigla do sistema de automação judiciária)