A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nesta quinta-feira (25) a quebra dos sigilos fiscal e bancário do advogado Nelson Wilians, alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de envolvimento em fraudes na Previdência. Wilians mantém escritório em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

O advogado já prestou depoimento à CPMI em 18 de setembro, inicialmente como testemunha. Ele foi questionado sobre relações pessoais, profissionais e movimentações financeiras atípicas, apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que somam cerca de R$ 4,3 bilhões.

Segundo a comissão, Wilians é ligado a Maurício Camisotti, investigado por supostamente ser um dos beneficiários finais de descontos indevidos envolvendo associações de beneficiários lesados. Durante o depoimento, Wilians negou qualquer relação com as fraudes, permanecendo mais de seis horas na comissão e consultando seus advogados em alguns momentos.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que Wilians deve ser tratado como “provável investigado”, saindo da condição de testemunha.

No depoimento, Wilians negou conhecer Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, mas admitiu relação com Camisotti desde 2015, inicialmente profissional, depois pessoal. Ele foi convocado à CPMI por transações bancárias suspeitas com Camisotti, que foi preso pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, conduzida com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). Wilians também foi alvo de mandado de busca e apreensão no mesmo contexto.

Wilians classificou as fraudes contra aposentados como hediondas e afirmou que não possui ligação com os fatos investigados. Sobre a atuação da Polícia Federal, disse respeitar as medidas, inclusive buscas e pedidos de prisão, que considerou parte do trabalho institucional de apuração.

O advogado se calou sobre suas relações com empresas e pessoas citadas pelo relator, incluindo eventual orientação à Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos (AMBEC) na elaboração de termo de cooperação técnica com o INSS.

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