O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), cobrou transparência da comissão interventora do transporte coletivo e alertou para o risco de paralisação do serviço caso os pagamentos a fornecedores e funcionários não sejam mantidos. As declarações foram divulgadas pelo parlamentar nas redes sociais nesta terça-feira (15).

Papy questionou a falta de informações sobre o trabalho do interventor e afirmou que os relatórios deveriam ser apresentados quinzenalmente. Segundo ele, após o primeiro documento, considerado superficial, não houve novas divulgações. “Muitas entrevistas, muitos discursos, o interventor, dito muito preparado e de repente, sumiu. Nós não temos mais nenhuma informação do que se trata, do que se faz”, afirmou.

O vereador também cobrou que o interventor, a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) e a Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos) analisem o relatório elaborado pela CPI do Transporte Coletivo. Papy ainda questionou a alegação de falta de recursos feita pela intervenção. “Ele está dizendo que falta dinheiro. Não era esse o discurso do Consórcio Guaicurus há meses atrás? Agora o interventor também está reclamando de dinheiro?”, declarou.

Câmara cobra informações sobre venda de imóvel

A cobrança ocorre no mesmo dia em que os vereadores aprovaram dois requerimentos solicitando informações sobre a venda, realizada em 2021, de um imóvel da Viação Cidade Morena por R$ 9,9 milhões. A Câmara quer documentos da negociação, comprovantes de pagamento, avaliações do imóvel e informações sobre quem autorizou a operação.

Os parlamentares também querem saber como os recursos foram utilizados, incluindo eventuais despesas com manutenção da frota, salários, tributos, financiamentos e dívidas, além de possíveis repasses a sócios ou empresas relacionadas.

Papy afirmou que a preocupação está relacionada à continuidade do serviço. Segundo ele, caso pagamentos a fornecedores de combustível e funcionários deixem de ser feitos, o transporte coletivo pode ser interrompido. “Sem o cumprimento dos pagamentos discricionários do Consórcio, como fornecedores de combustível, de folha de pagamento de motoristas e funcionários, sabe o que acontece? O transporte para”, disse.

“Quero dizer ao interventor que não ouse interromper o serviço de transporte público em Campo Grande. Que ele possa esclarecer a questão financeira com clareza e com transparência para a sociedade de Campo Grande”, completou.

A Prefeitura assumiu a gestão operacional, administrativa e financeira do transporte coletivo em 16 de junho, pelo prazo de até 180 dias. Apesar da intervenção, o Consórcio Guaicurus permanece como concessionário formal do serviço.