Sabatina
Frente a Frente: Lucien Rezende apresenta propostas para governar Mato Grosso do Sul
Candidato do PSOL defendeu propostas para meio ambiente, educação e desenvolvimento econômico
Último candidato sabatinado no ‘Frente a Frente – Eleições 2026’, Lucien Rezende (PSOL), abordou, entre outros assuntos, a priorização do meio ambiente, revisão de isenções fiscais e programa de saúde itinerante para quem tem mais de 60 anos.
O candidato afirmou que quer fazer um debate do Governo com democracia e mudar a lógica de privilégio para poucos, em detrimento dos menos favorecidos e com pouco a oferecer em políticas sociais. “Então a gente quer fazer o debate para fazer um governo mais humanizado, mais próximo do povo, um governo que atenda mais o social”.
Meio ambiente e sustentabilidade
Ao responder ao JD1 sobre a possibilidade de suspender atividades de mineradoras caso estudos apontem riscos ao Pantanal ou aos recursos hídricos, Lucien Rezende afirmou que adotaria a medida diante de ameaças ambientais. O candidato também defendeu maior fiscalização das empresas que atuam na região de Corumbá. “Eu acredito que ninguém aqui tenha visto nenhuma fiscalização nessas mineradoras. A gente tem a suspeita de que tem muita coisa que precisa ser transparente para mostrar para a população. Não tenha dúvida, se tiver alguma questão que envolve o meio ambiente, a gente tem que suspender”, afirmou.
Questionado sobre os impactos de uma eventual suspensão na geração de empregos, Lucien disse que os trabalhadores precisariam ser amparados, mas que a atividade econômica não poderia se sobrepor à preservação ambiental. “A gente não pode também estar querendo penalizar o meio ambiente em questão de lucro, em questão de estar tendo sempre produção para proteger geralmente os grandes empresários. Sem dúvida nenhuma, o trabalhador que ali está vai ser amparado, ele vai ter a proteção dele”, declarou.
O candidato também relacionou a preocupação com a mineração a outros problemas ambientais enfrentados pelo Pantanal e afirmou que a degradação não pode continuar avançando. “Nós não podemos, em hipótese alguma, avançar mais em degradação no meio ambiente do jeito que está sendo feito. No Pantanal, quando eu era mais jovem, a gente não via esses fogos com frequência. Então, isso é um conjunto, é o fogo, são as usinas que têm lá, e a gente tem que estar muito atento a isso”, completou.
Ao responder ao SBT MS sobre o assoreamento do rio Taquari e quais medidas adotaria para enfrentar o problema, Lucien defendeu a realização de estudos técnicos e valorizou o trabalho de fiscalização da Polícia Militar Ambiental (PMA). “Nós temos hoje uma atuação muito boa da PMA. Ela trabalha, fiscaliza, porém, na hora que converge em valores, em multa, eu não vejo essa multa. Sempre tem um padrinho político, sempre tem alguém que passa o pano nessa multa e ela não é paga”, disse.
Lucien também defendeu a participação de especialistas e uma parceria com o governo federal para definir as medidas necessárias para recuperar o rio. “Eu acredito que tem que ser feito um levantamento com pessoas da área do meio ambiente para poder levantar como fazer para a gente resolver essa questão do assoreamento. Tem que começar um estudo e apresentar. Eu acho que é bom ter parceria com o governo federal para a gente estar resolvendo isso”, concluiu.
Arrecadação e finanças públicas
Ao responder ao Correio do Estado sobre como financiaria a ampliação dos serviços públicos em Mato Grosso do Sul, Lucien Rezende afirmou que pretende rever os incentivos fiscais concedidos a grandes empresas. O candidato criticou a situação das contas estaduais e disse não enxergar investimentos capazes de deixar um legado. “A gente vive num momento que se passa pelo próprio governo, que o orçamento não está dando. A gente está andando no Estado e não está encontrando obras que impactam, obras que a gente vê que vai ficar um legado. A única obra que a gente vê é a ponte sobre o rio Paraguai, que, aliás, é feita pelo governo federal”, afirmou.
Lucien defendeu uma discussão sobre o volume das renúncias fiscais e citou o setor de celulose como exemplo de atividade que, na avaliação dele, poderia se instalar no Estado mesmo sem tantos incentivos. “Nós temos que, sinceramente, discutir a isenção fiscal que está dando para os ricos. Era 8, agora já está chegando a 12, se continuar esse governo vai a 16 bilhões de isenção. Eu acredito que muitas empresas dessas não precisam de isenção fiscal. São multinacionais. De qualquer forma, essa fábrica viria para Mato Grosso do Sul, porque Ribas é terra propícia para a plantação de eucalipto, terras baratas”, disse.
O candidato afirmou que os incentivos deveriam ser revistos e condicionados a contrapartidas sociais. “Eu acredito que tem que ser revisto, esses benefícios que são dados a essas empresas, porque tem que ter contrapartida. Contrapartida tem que ser em questões sociais, para você poder atender a população em alguma demanda, na saúde, na educação, e a gente não está vendo isso. Eu queria ver a contrapartida, porque eu fiz parte de um processo recentemente em Ribas e a contrapartida é praticamente zero”, declarou.
Ao responder ao Campo Grande News sobre como administraria o orçamento estadual, considerando sua experiência no Executivo municipal de Ribas do Rio Pardo, Lucien disse não considerar a gestão do Estado uma dificuldade e destacou a estrutura formada por servidores de carreira. “Toda secretaria de município ou do Estado não é diferente, tem um corpo de funcionários públicos espetaculares, de carreira, que a parte burocrática é eles que tocam. A questão política, o gestor que assume politicamente é ele que vai dar o tom da política, se é um tom para atender o rico ou se é um tom para atender o social”, afirmou.
Para Lucien, o governador deve definir as prioridades políticas e contar com servidores de carreira e profissionais experientes na administração. “O gestor, com esse corpo de funcionários públicos que nós temos no Estado, que são bons funcionários em todas as secretarias, não é muito difícil você tocar isso. O difícil hoje é você tocar uma farmácia lá da periferia, é difícil você tocar aquela lojinha da outra periferia, porque eles têm concorrente, porque eles pagam os impostos deles até antecipado. Isso eu acho difícil administrar”, completou.
Educação
Ao responder ao portal A Crítica sobre a presença de professores temporários na rede estadual e o que faria para valorizar os profissionais da educação, Lucien Rezende defendeu a equiparação salarial e a realização de concursos públicos. “Hoje ganha em torno de R$ 11 mil a R$ 12 mil um professor, o temporário ganha a metade. Então, isso não é justo. E vou além: não só na questão do professor, como os administrativos também ganham mal. No nosso governo nós queremos fazer a equiparação salarial e queremos fazer concurso público”, afirmou.
Questionado ainda sobre a possibilidade de adotar a equiparação sem prejudicar professores efetivos e alunos, Lucien disse que a medida faria justiça aos profissionais que exercem as mesmas funções. “Eu vejo que, se você equiparar o salário, você não está agredindo o efetivo. Parabéns para o efetivo que fez o concurso e passou. Eu acredito que, se você equiparar o salário, você está sendo justo com quem trabalha. O que eu vejo é má vontade política de melhorar o salário de quem ensina, para poder ter uma educação de qualidade”, declarou.
Ao responder à TV Guanandi sobre a ampliação das escolas em período integral e como garantir atividades que contribuam efetivamente para a formação dos estudantes, Lucien afirmou que a proposta é antiga e defendeu que o modelo seja ampliado para toda a rede, e não fique restrito a poucas unidades. “Há uns 20 anos a gente começou a fazer esse debate e apresentar essa proposta de educação em período integral. Sempre a direita, a extrema direita, falava que era inviável pela questão desse custo. Hoje a gente já está vendo candidato defendendo a educação em período integral. Então, já estão vendo que é possível, que tem condições de ser feita, sim”, disse.
O candidato citou uma experiência que acompanhou nos Estados Unidos para defender que o período adicional seja preenchido com atividades, alimentação, cultura e esporte. “Eu morei nos Estados Unidos e pude acompanhar a criança que saía de casa sete e pouco, oito horas da manhã, e voltava às quatro e meia, cinco horas da tarde, toda limpinha, já alimentada, e durante o período lá fez todo um processo da escola e as atividades que tinha que fazer. Eu acho que isso não é nem gasto, eu vejo isso como investimento”, completou.
Saúde
Ao responder à TV Guanandi sobre o programa Saúde em Casa, Lucien Rezende afirmou que a proposta seria associada à regionalização dos atendimentos e teria como um dos focos a população com mais de 60 anos. “Você levar a saúde em casa, principalmente para os maiores de 60 anos, já desafoga muitos postos de saúde. Você não impacta tanto o transporte coletivo, porque a pessoa tem que sair da sua casa para ir ao posto de saúde. Então, você tendo esse atendimento em casa, conseguiria diminuir também o fluxo dos atendimentos nos hospitais e nos postos de saúde”, afirmou.
Questionado sobre como implantar o programa sem retirar profissionais das unidades que já enfrentam superlotação, o candidato defendeu parcerias com o governo federal e citou o Mais Médicos. “Eu acredito que hoje você tem que fazer parceria política, não parceria eleitoreira. E com o governo federal não é diferente. Dependendo de quem seja presidente, você tem que ter um diálogo para fazer parcerias políticas. E aí a gente tem um plano que é maravilhoso, que é o Mais Médicos, que você pode estar adquirindo isso com o Mais Médicos, você pode estar fortalecendo mais o SUS”, declarou.
Ao responder ao Correio do Estado sobre quais recursos utilizaria para ampliar o Mais Médicos e implantar o Saúde em Casa, Lucien disse que pretende trabalhar com os recursos já disponíveis e reduzir despesas que considera desnecessárias. “O recurso que já existe. Eu acho que o que está faltando é gestão. Eu vou te dar um exemplo. Hoje um prefeito do interior que perde uma eleição, no outro dia ele está nomeado na governadoria, ganhando R$ 25 mil, R$ 30 mil, R$ 35 mil por mês. E não é um”, disse.
Segundo o candidato, uma redução desse tipo de gasto permitiria direcionar dinheiro para a saúde e outras áreas. “Como o dinheiro é público, é seu, é meu, é de todos, ele contrata lá centenas de pessoas com salários altíssimos. Então, aí já é um valor que nós podemos estar fazendo para poder ajudar nessa questão não só da saúde, como de outras demandas que a gente tem, que estão deficitárias no Estado”, completou.
Segurança pública
Ao responder ao SBT MS sobre o alerta do governo norte-americano em relação à atuação de facções criminosas na região de fronteira de Mato Grosso do Sul, Lucien Rezende discordou dos termos usados, mas reconheceu a necessidade de reforçar a segurança. “Não nesses termos vindos de americano. Mas a gente tem que cuidar da nossa fronteira, que ela é extensa. Acredito que, com inteligência, aplicação de recursos e mais aparato para os nossos policiais, dá para melhorar. Nós temos bons policiais civis e militares em Mato Grosso do Sul. Acredito que a gente tem que investir mais em inteligência e colocar drones para ajudar esses policiais na fiscalização e no combate ao crime organizado”, afirmou.
Sobre quais municípios deveriam receber atenção mais rapidamente, o candidato destacou a faixa entre Ponta Porã, Amambai e Mundo Novo. “Eu acredito que o maior fluxo é Ponta Porã, Amambai, aquela região que você vai até Mundo Novo. É uma região que hoje a gente vê que tem muita questão de tráfico de drogas e é onde é mais pesado. Tem outros municípios que a própria polícia já sabe, já tem monitorado. Então, acredito que, através desses estudos e desses profissionais, a gente vê o que realmente precisa para poder estar melhorando”, disse.
Questionado pelo portal A Crítica sobre a afirmação de que partidos de esquerda seriam mais tolerantes com criminosos e como um eventual governo do PSOL atuaria na segurança pública, Lucien classificou essa percepção como “folclore”. “Eu acredito que isso é folclore. Eu acredito que você não tem que estar passando a mão em cabeça de pessoas que estão cometendo atos errados e que estão prejudicando a nossa população. Eu acredito que a polícia tem que agir realmente com rigor, dentro da lei, democrática, respeitando os direitos humanos”, declarou.
Lucien defendeu que a atuação policial concilie rigor, cumprimento da legislação e respeito aos direitos humanos. “Eu acho que é importante isso, mas nós não podemos baixar porque realmente só quem está na frente, que tem essa tensão ali de estar fazendo esse trabalho, que é um trabalho tenso, pode estar avaliando realmente a situação. Mas eu acredito que tem que ser um trabalho sério, respeitoso, mas tem que estar sempre atento para poder estar defendendo a nossa população”, completou.
Desenvolvimento econômico, tecnológico e inovação
Ao responder ao Campo Grande News sobre qual modelo de desenvolvimento econômico pretende adotar para reduzir desigualdades em Mato Grosso do Sul, Lucien Rezende afirmou que o crescimento precisa estar acompanhado de investimentos em infraestrutura e planejamento. “Desenvolvimento econômico, quando a gente fala, a gente também tem que falar em infraestrutura. Desde 2010 foi falado no Estado que viriam as megafábricas de celulose. O governo tinha todo um tempo para fazer um planejamento, para fazer uma duplicação, pelo menos, da rodovia. Não foi feito. As fábricas chegaram, foram construídas, já estão em operação e a nossa rodovia está toda impactada”, afirmou.
O candidato também citou a Rota Bioceânica e defendeu que o Estado se prepare para aproveitar o corredor como instrumento de atração de novos investimentos. “Nós estamos discutindo a Bioceânica, que vai ser um corredor, Mato Grosso do Sul vai ser um corredor da Bioceânica. Nós não estamos vendo, do lado brasileiro, nenhum planejamento do Estado que vai atender esse corredor, em logística, para poder realmente atrair empresas de fora, principalmente com tecnologia. Como é que você vai atrair grandes empresas se a gente não tem uma infraestrutura, a gente não tem um planejamento?”, questionou.
Ele apresentou a proposta de implantação de polos de produção em cinco municípios. “No nosso programa, nós temos a instalação de cinco áreas verdes, que são os polos de produção. Nós queremos fazer em Três Lagoas, Campo Grande, Dourados, Corumbá e Ponta Porã. Esse cinturão verde sendo implantado vai gerar mais renda, mais oportunidade, mais emprego para o pequeno produtor. Nós temos terras iguais ou melhores e não temos um fomento na agricultura familiar pelo atual governo”, disse.
Ao responder ao JD1 sobre a falta de mão de obra qualificada para preencher vagas disponíveis no Estado, principalmente na área tecnológica, Lucien defendeu a ampliação da formação profissional. “Nós temos hoje a UEMS e eu acredito que ela está em 16 polos. Em 79 municípios, temos só 16, 18 UEMS. Eu acredito que isso tem que ser ampliado para a gente levar formação para essa juventude nossa. Quando se instalou essa fábrica em Ribas, hoje está gerando em torno de 3,5 mil empregos, se tiver 200 de Ribas é muito”, afirmou.
Segundo o candidato, a falta de preparação prévia dos trabalhadores locais fez com que oportunidades abertas pelos novos empreendimentos fossem ocupadas por profissionais de outros estados. “Vieram os trabalhadores de outro Estado, pegaram os melhores salários, não sou contra quem trabalha, tem que ganhar realmente bem, mas a oportunidade surgiu para quem não era do nosso Estado. Quem é daqui não está pegando essas oportunidades porque não tem esse planejamento, não tem essa visão de formar os nossos trabalhadores para a gente poder estar dando as melhores condições nesse setor de trabalho”, completou.